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SEGUIDORES DE CAMINHADA

sexta-feira, 21 de março de 2014

Conto de infância: fantasias, ilusões

 Desenho ilusão, fantasia, por Evaldo.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 



Na casa do vale.


A chaminé soltava pequena nuvem de fumaça na cor acinzentada vinda do fogão à lenha.
Ainda não estava na hora de preparar o jantar, mas as brasas mantinham-se acesas e brandas, apenas o bastante para aquecer algumas panelas, entre elas a de feijão cozido, a de broa de milho, e outra com água morna.
O fogão foi aceso bem cedinho para o café da manhã, logo no raiar do dia, junto com o despertar dos passarinhos que cantarolavam por todos os lados. Ouvia um trilar daqui, outro dali, como se estivessem a dar início a uma sinfonia. Em seguida todos apareciam afinados, anunciando que o dia ficara pronto para a nova lida.
Assim também viviam os moradores daquela casa antiga, cujo assoalho era feito de tábuas largas, menos a cozinha de chão de terra bem batida e nivelada, de modo que não soltasse resíduo de poeira. 
Sempre havia alguém levantando mais cedo, como os passarinhos. 
Colocava os primeiros gravetos de lenha no fogão que permanecia aceso o dia inteiro, às vezes até um pouco mais tarde, para aquecer também a casa, por causa do frio, antes que todos fossem  dormir.
Ainda era menino, mas já havia mudado para a cidade quando passei alguns dias de minhas férias escolares naquele lugar chamado Arruda, um pequeno vale do Córrego São Pedro onde vivia uma de minhas tias com sua família.
A noite chegava e logo apareciam de mansinho as estrelas no céu. Com a lua cheia clareavam-se as árvores, mostrando sombras sobre as relvas. 
Sem televisão e radio, apenas curtia as histórias que minha tia contava naquele vale encantado.
Entre as muitas histórias que ouvimos haviam as de assombração. Causavam suspense sim, porém, estavam longe de serem pesadas como são nos tempos atuais algumas versões dos contos de fadas que passam nas telas de cinema e televisão. 
Apertavam um pouquinho os corações infantis para exercitar a imaginação, somente isso. Afinal, a curiosidade era grande para saber dessas coisas.
Assustou-me uma folha meio avermelhada com formato de uma orelha grande, de animal. Apareceu no meio do mato, ao anoitecer, quando brincava no terreiro com meus primos e minhas primas.
Nem olhei para trás: corri para dentro de casa. Todos correram, acreditando no aviso daquele susto convincente. Sem dúvida era uma assombração.
Minha tia se encarregou de ouvir nossa história; todos tínhamos  um parecer sobre o caso, que foi elucidado somente no dia seguinte, pois, nenhuma criança se encorajou a sair de dentro de casa. 
O melhor de tudo foi que o assunto enriqueceu aquela noite com muitos outros casos contados, cada criança querendo dar mais expressão e autenticidade em sua história.
Há tantas coisas que emocionam a vida das crianças. Entre elas estão as boas histórias, mesmo as que são mescladas com fantasias, que naturalmente serão trabalhadas e dissolvidas na própria brevidade da infância. 


Evaldo de Paula Moreira

Conto de infância

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Paradoxos da vida


                                      Photo by Vera Candian Moreira




Paradoxos da vida



Somos  todos diferentes.
Sem dúvida, ninguém é igual.
Há uma busca constante de padronização das pessoas no mundo.
Classificação por faixa etária .
Por faixa de renda.
Por capacidade de consumo.
Também existe a pesquisa de povos para saber se são felizes.
Nem sempre são os que consomem mais.
Sabe aqueles pontinhos de luzes que vemos nos mapas pela internet?
Quanto mais houver concentração deles, maior é o indicativo de riqueza, de acordo com a quantidade da produção e do consumo de energia pela população.
Indica felicidade também?
Deveria indicar, mas...
Adoro usar a internet.
Olhar o céu com o telescópio...
Dirigir o carro com ar condicionado em boas estradas.
Mas sufoca o peito navegar em mares de violência como estão hoje os oceanos da vida.
Até os pássaros são agitados.
Na década de 50 o Brasil era mais rural do que urbano.
Tenho saudades daquele tempo quando podia andar descalço sob a chuva e brincar de escorregar no barro.
Refrescar os pés andando pelos córregos.
As árvores eram referências de localização das coisas ou pessoas:

- A casa fica lá perto do pé de ipê amarelo, diria alguém.
- Fulano está lá no pé de manga, diria outro alguém.

As águas eram limpas e potáveis por todos os lados.
Fumaça nos céus eram poucas: a da locomotiva do trem; a da chaminé do fogão de lenha...
Tudo bem que se apagou a luz de lamparina.
As luzes da cidade iluminam mais do que a luz da lua, mas ela ainda permanece lá no céu, fiel ao seu princípio de criação, iluminando com suavidade toda a Terra.
O problema é que com o progresso ficou mais perigoso andar no escuro.
Mas todo mundo, bandido e mocinho, é mais feliz hoje em dia,com o conforto que existe  e com as facilidades para executar qualquer tarefa.
Tanto o gato quanto o rato ficaram mais aparelhados, impiedosos e mais espertos.
O mundo venceu todas as barreiras, inclusive a da ética proposta por Aristóteles e Platão.
Adeus Aristóteles!
Adeus Platão !
O mundo está livre não só  para se expressar mas também para agir sem limites.
Não tenho nada contra a livre expressão.
O tempo da inquisição já passou.
Agora somos livres.
Até mesmo para acender novas fogueiras.
Fico meio confuso, às vezes, porque não tenho mais o pé de manga, nem o pé de goiaba para subir neles, como fazia na infância, embora nos dias de hoje possa passear de automóvel e viajar de avião.
A goiaba ficou maior e mais bonita, né? Mas é por causa dos agrotóxicos, eu acho.
E com a produção em alta escala ninguém precisa se preocupar mais em cultivar o seu próprio pedaço de terra.
Sempre haverá alguém para administrar tudo com mais eficiência. O problema acontece quando arrebenta algum dique e espalha veneno pra todo lado.
Mesmo assim não precisamos nos preocupar, não. Existem as multas, então, uma vez multado o infrator, fica tudo certo.
O Brasil já está punindo o crime do colarinho branco.
Estamos ficando iguais aos países civilizados.
Aí fica tudo certo mais uma vez.
Mas não quero ser catastrófico.
Desde pequeno ouço falar do fim do mundo. Ele teria acabado várias vezes, se vingassem algumas teorias e previsões.
Com tudo isso, ainda há como cuidar das flores, mesmo que seja num pequeno vaso, em qualquer espaço da casa.



Evaldo de Paula Moreira
Paradoxos da vida


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conto -O balde,a guitarra,as letras e os amigos.





O balde, a guitarra, as letras e os amigos.

A primeira corda que o menino utilizou foi provavelmente a que sustentava o balde para retirar água do poço da sua casa de infância na cidade, antes, ainda, da água encanada.
Talvez na mesma época em que eu refrescava meu rosto com água da mina que corria fresquinha sobre uma telha de barro, lá nas roças de meu passado aqui nas Minas Gerais.
Contou-me ele, um dia, num dos comentários no meu blog, que às vezes o balde ficava pesado d’água, então soltava a corda quando já estava no meio do poço, por causa desse peso.  Riu a valer, quando contou, ao lembrar que sumia por alguns momentos para escapar das broncas.
Era uma pequena travessura de menino, com certeza, mas daquelas que trazem saudosas lembranças.
Dessa história que me contou, deduzi que o menino estava fadado a esticar outras cordas que lhes renderam muitas alegrias em sua juventude, conforme podemos ver em suas postagens  e comentários: são as cordas de sua guitarra, que tocaram muitas músicas com a banda da qual participava.
E por aí vai também a lembrança, da minha infância e da juventude.
Primeiro foi o caneco de lata para beber água da mina, feito primorosamente pela minha saudosa avó, a quem chamávamos com muito carinho de madrinha e não de vovó, naquele tempo.
Depois, na minha juventude na cidade não faltavam os amigos que nos brindavam com o dedilhar mágico nas suas guitarras, formando esperançosas bandas musicais, na década de 60.
Foram também momentos de somar alegrias, que eram tantas, e dividir um pouco das tristezas que vez ou outra apareciam.
Essa história do balde, da guitarra e das letras, com a qual misturo a minha, é de um menino nascido em Paranavaí, no Paraná, que não conheci na época em que eu também era criança, mas que o agradecemos hoje pelas suas postagens, pelo seu interesse em favor do próximo, pela amizade nos caminhos da blogosfera, particularmente eu pelo grande incentivo que recebi, nas minhas postagens simples, de contos de roças, de minha infância no campo.
E esse menino, José Roberto, de Paranavaí, que se “esmerou” ao utilizar a corda do balde na infância e posteriormente as cordas da guitarra na juventude, também se dedica hoje às letras da advocacia, nos fóruns do Paraná, demonstrando grande intransigência na defesa dos direitos humanos.
Ultimamente tem sido poucas suas postagens no seu blog A Balestra, http://zerobertoballestra.blogspot.com.br/talvez pela escassez de tempo, da mesma forma que eu também tenho minha demora ao postar, por motivos diversos. Esforço-me por melhorar.


Adendo em 15 de dezembro de 2013
A jovem cidade de Paranavaí no Paraná está em comemoração, pois completa 61 anos (14 de dezembro de 2013).
Parabéns aos paranavaienses!
Que o progresso esteja sempre presente nesta terra.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O humor contagia








Estava em passeio lá pelas regiões do lago Paranoá. Num daqueles recantos mais afastados do centro da cidade de Brasília.  Fui dar umas voltas com as cadelas, duas, da casa da chácara onde morava um de meus filhos.
As cadelas eram muito amistosas, mas acostumadas a latir com tudo o que passasse por lá, até mesmo com os pássaros que pousavam nas gramas.
Um dia surpreendi as duas acuando uma coruja. Enorme coruja.
Eu me aproximei naquela “tarde-noite” para ver o que estava acontecendo. Elas poderiam estar em perigo atacando algum bicho peçonhento, mas não era isso. Era a coruja, deitada de costas para o chão, exibindo suas grandes garras em defesa de sua vida. Adverti-as para que se afastassem e me aproximei em auxílio à coruja e percebi que ela estava apenas muito assustada, porém mantinha suas asas abertas, em curva, embora estivesse deitada. Isso a fazia parecer uma ave grande, o que assustava as cadelas. Até eu mesmo fiquei com receio de suas garras e de seu forte bico. Não queria me aproximar para não assustá-la mais ainda, todavia desejava saber se ela estava bem. Enquanto isso eu acalmava as amigas “cãs”, se é que posso chamá-las assim, para não chama-las de cadelas, pois ficaram minhas amigas.  
Tive então a ideia de pegar uma vara de bambu que estava ali pelo chão e estender até as garras da coruja que não demorou em agarrá-la. Como ela se agarrou bem, no bambu, eu a suspendi até um galho de árvore, de modo que não pudesse ser alcançada pelas aparentes feras. Não quis perturbá-la, então a deixei imóvel da mesma forma que estava no chão, antes de subi-la para a árvore. Estava tão assustada que continuou na mesma posição de defesa, quando a coloquei na árvore, isto é, deitada de costas para baixo, e garras para cima.
Minhas amigas “cãs” se limitaram a observar com atenção o que eu estava fazendo, e não perturbaram mais a coruja que logo descobriu que estava livre e foi embora.
No dia seguinte observei que alguns pássaros, maiores um pouco, ou aves como a coruja que pousassem nas cercanias da casa eram espantadas por elas.
Adotei a postura de corrigi-las e sentar-me ao chão para simplesmente admirar a natureza. Os pássaros que se achegavam eram apenas amigos que compartilhavam conosco o mesmo espaço e não foram mais perturbados por elas.
Em outro momento saí para uma caminhada com aquelas amigas, segurando-as em suas coleiras, para evitar alguma surpresa durante a caminhada, pois ainda não estava acostumado com elas o suficiente. Havia naquelas redondezas uma chácara que produzia frutas, legumes, verduras e lá fui eu para conhecer, comprar e levar alguma novidade para casa.
Soltei as cadelas de suas coleiras, porque elas eram obedientes, dóceis com as pessoas, então não vi nenhum perigo em mantê-las assim por um trecho do caminho, para que elas usufruíssem dele como um recreio.
Ao aproximarmos de uma cerca havia uma vaca pastando calmamente do outro lado da pequena estrada. Não demorou ser avistada pelas “amigas” que de imediato puseram-se no seu encalço, expondo o natural instinto.
Foram então advertidas novamente e a vaquinha continuou sua pastagem sem dar muita importância a elas. Acredito ter adivinhado que aqueles latidos eram de cães que não mordem.
Chamando-as severamente, elas se postaram a meu lado, e nos limitamos apenas a observar aquele belo animal. Creio que foi novidade para elas conhecer aquele espécime diferente.
Acredito que os animais captam com muita facilidade o humor das pessoas.
Da mesma forma acredito que o humor humano contagia outro humano.
Alegria passa alegria...
É preciso não perder de vista que devemos retomar sempre o estado psíquico de bom humor para com a vida, pois ele dá melhor resultado em tudo o que vamos fazer.

Evaldo de Paula Moreira

Reflexões

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pelejando com as Palavras




                                                                                                                                    - Como vai?
                                                                                                                                    - Vou pelejando.   


                                     
Vi muitas coisas neste mundo, nesta vida de encantos e desencantos. Vi a semente desabrochar da terra; o arco-íris colorir a atmosfera...

Em minha infância pisava sem querer nos espinhos, nas relvas, onde procurava com meus pés descalços sentir o frescor da terra.

Ainda fito as estrelas e ouço o cantarolar dos pássaros.

É a vida que se entrelaça em suas multifaces.

Vida que abraça todos os desejos, como o sol que ilumina todos os seres.

Vida na qual cabem infinitas perguntas.

Vida que nos abriga, com ou sem perguntas; com ou sem respostas.

Nos tempos de menino, lá nas roças que me deixaram saudades, ouvia as pessoas dizendo quando se cumprimentavam:
- Como vai?

E a resposta mais comum vinha assim:
- Vou pelejando.

O verbo pelejar, que significa luta, batalha, caiu em desuso, muito embora espelhe a realidade fiel de quem o pronuncie. E corretamente, no gerúndio, eis que  dá a ideia de ação, de movimento, como é a vida.

As formas de expressão da linguagem podem sofrer mudanças e isso é progresso, mas as batalhas continuam sendo ingredientes para fazer o homem amadurecer.

Em qualquer circunstância que estejamos e em qualquer tempo a vida será sempre uma peleja, porque sempre haverá batalha dentro de nós..., e nunca foi diferente.

Diferentes, são somente as palavras.


                                                                                                                        Evaldo de Paula Moreira
                                                                                                                        Reflexões


domingo, 14 de outubro de 2012

Poema de amor - Pôr do Sol

Porto Alegre-RS - margem do Guaíba - Mesmo com o tempo frio, o pôr do sol foi muito apreciado nesse dia 12 de outubro de 2012





                                      Poema de amor

Nossos atos hão de ser sempre subsidiados pelo amor.

Amor em toda sua amplitude de compreensão.

A medida dessa compreensão é conquistada no viver cotidiano.

Seguindo essa trilha, regozijamo-nos por ver as flores do caminho.

No todo existente, entretanto, há equilíbrio nas forças da natureza.

Há de se compreender a existência dos pântanos em nossa paisagem.

Trilhar em paz significa ter essa compreensão.

Meta a se almejar, pelo menos.

O cair das folhas e das flores não dá motivo para desdizer das plantas, nem as mazelas para desdizer da vida.

Tudo pode ser visto sob o prisma do amor.

Amamos o sol apesar de saber que ele pode nos tostar.

Ele não se perturba com sua força distributiva.

Segue sua rota navegando entre forças maiores ainda.

É tão belo o raiar do dia e não menos o entardecer.

O primeiro nos desperta para a lida diária, nos agita, nos sacode, para sorrir e agir.

O outro nos acalma, quando a luz se afasta.

É como se o sol dissesse: minha cota de energia de hoje já foi fornecida, mas  amanhã haverá luz outra vez.

 


Evaldo de Paula Moreira
Poema de amor

                                                                                                          

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Homenagem ao blog Pintando Haikai





Homenagem ao blog Pintando Haikai, de autoria da amiga Elisa T.Campos



                       Conversando com a arara.

O que poderia falar para a adorável ave que me olhava com olhar sereno e indagador?
Ela não era apenas um objeto colorido pousado ali naquela árvore frondosa para agradar meus olhos com sua beleza.
Parecia que ela queria se comunicar.
Como falar com essas aves, pensei?
Com certeza ela queria me dizer alguma coisa, bastava ver o olhar dela que me fitava querendo interagir de alguma forma.
Para iniciar entrosamento arrisquei uma pergunta: quer uma goiaba?
Eu já havia observado outras araras naquela pousada do cerrado de Goiás e vi como elas são amistosas com as pessoas. Iam e vinham com liberdade por aquelas árvores, embelezando  região que já é linda, com suas nascentes de rios, montes suaves e vegetação vicejante.
Estendi, então, minha mão e ofereci a goiaba. 
Graciosa e suavemente ela estendeu seu bico em direção à goiaba oferecida, em gesto de aceitação, não por motivo de que precisasse de minha oferta, mas apenas para não me desapontar, suponho, pois naquele lugar há muitas árvores frutíferas, inclusive goiabeiras.
Parecia que ela queria contar alguma coisa de sua região, pois afinal de contas eu era um turista.
Se soubesse que eram tão amistosas e inteligentes, teria insistido um pouco mais, buscando conversar sobre tanta coisa .
Creio que no seu compenetrado silêncio, e às vezes falando baixinho sem que eu a entendesse, ela soubesse que a interação não se dá apenas com palavras. Deve ter compreendido a minha dificuldade em dialogar com ela. Afinal, eu era apenas um turista com outra roupagem.
Naquele dia, não há muito tempo, ainda não conhecia as histórias da Elisa T. Campos, do blog http://pintandohaikai.blogspot.com.br/
Encontramos, nos seus diversos assuntos, historinhas sobre suas  amiguinhas araras que papeiam e viajam pelo Brasil afora e até nos países vizinhos.
Elisa, inclusive, pinta muito bem, tanto quanto escreve. Entre seus escritos estão seus interessantes haikais, que com poucas palavras expressam a grandeza de seu sentimento e o modo profundo de ver o mundo. Suas fotos enriquecem suas postagens, exaltando a natureza como um todo, notadamente as flores. 
Agora já sei que quando encontrar novamente com essas adoráveis criaturas, as coloridas araras, lembrar-me-ei que suas longas asas foram feitas para realizar  revoadas distantes e que elas têm muitas histórias para contar, sobre diversos assuntos e lugares.




Homenagem ao blog Pintando Haikai
Evaldo de Paula Moreira

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Série Pensamentos - Desenho, natureza, reflexões, vida.

                            desenho natureza                     by Evaldo  




Reflexões, vida.

Antes de existir a natureza que conhecemos, nosso planeta era uma esfera incandescente a girar pelo espaço, em torno da estrela mãe, o Sol, em busca de seus destinos.
Indescritível capricho houve na criação de todas as coisas, como é sabido.
O que teria existido antes?
E antes do antes?
O hoje, com certeza é fruto desse paciente conjunto de criações.
Engenharia sideral, talvez, criando bólidos que giram ao infinito.
O que podem ver nossos olhos?
A folha que se solta da árvore, o grão de areia burilado pelas águas do rio?
Tudo é maravilha... Tudo é espetacular engenho.
Mas, só em sonho acordado, só no foro íntimo podemos avaliar e sentir paz, pois a vida é composta de luz e treva que a tudo agita.
A alegria e a tristeza não estão apenas no que os olhos veem, mas principalmente na capacidade de pensar e processar intimamente o que nossos sentidos podem apurar. Tudo acontece sob guisa da sombra e da luz que somam o que somos.
Nessa alternância vamos selecionando a claridade numa luta constante em busca da felicidade, conscientes ou inconscientemente.
A natureza é pródiga em fornecer as belezas das quais somos parte e a cada dia que passa firma-se cada vez mais a compreensão de que está em nossas mãos a co-responsabilidade em fazer fluir a vida planetária.


Juiz de fora, 15 de agosto de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Natureza – reflexões - vida

domingo, 1 de julho de 2012

Retorno provisório ao blog



                                                               Jarra (MAJESTOSA)
Arte elaborada por Ma Ferreira, do blog Arte em Cerâmica





Fiz este desenho à temperatura ambiente de12º C (parodiando a artista em cerâmica Ma Ferreira, do blog Arte em Cerâmica).
É uma copia da foto acima, que tirei da Jarra (MAJESTOSA) adquirida da artista, que é uma grande amiga,  nos incentivando constantemente nos blogs.

Sempre admirei as peças em cerâmicas, porque elas sempre me foram familiares.
As águas eram servidas em Moringas desde minha infância, parecidas com Jarras, lá no campo onde nasci. Elas eram águas apanhadas nas minas e conservavam-se bem fresquinhas. Deixaram saudades...

Depois que mudei para a cidade, ainda menino, aprendi uma música mais ou menos assim:

- Hoje é domingo,
  Pede cachimbo,
  Cachimbo é de barro,
  Bate no Jarro,
  Jarro é de ouro,
  Bate no touro...
  ...
Assisti também a alguns filmes que apresentavam jarros mágicos, ou então lâmpadas mágicas, iguais ao “A lâmpada de Aladim”, onde vivia dentro dela um gênio há mais de mil anos.
A vida sempre me foi recheada por ilusões das mais lindas, portanto ainda continuo acreditando no gênio que existe dentro da Jarra.

Adquiri essa Jarra, feita em aquecimento de centenas de graus centigrados, como diz  Ma Ferreira. Creio que há um gênio lá dentro também, aguardando uma oportunidade para ir embora, para outro mundo, além do arco íris, onde deve ser sua morada. Por enquanto acredito que ele está satisfeito em ficar por aqui mesmo.



Juiz de fora, 30 de junho de 2012
Evaldo de Paula Moreira
Saudade do blog
Homenagem ao blog Arte em Cerâmica



segunda-feira, 23 de abril de 2012

PAUSANDO O BLOG


Pausando o blog.

É uma vivência e tanto.
Experiência que fica catalogada no rol de tantas outras, tais quais as outras que passaram e ficaram incorporadas em nosso viver.
Com a mesma força do amor que semeamos e também muito recebemos.
Com todas as dificuldades e apertos do coração com que vivemos qualquer outro momento do dia a dia.
É hora de uma pausa mais prolongada para redimensionar esse caminho que é o blog.
Sem festa de despedida porque despedida dói. Nem sei como fazê-la. E, como não sei, agradeço a todos que participaram dessa convivência.
É certo que ficarão saudades.
Mas fica aberta a possibilidade de volta, se possível com mais qualidade e eficiência, contudo, o que mais importa é manter sempre junto o coração.

Juiz de Fora, 23 de abril de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Pausa no blog.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sabe o que acontece?...

                                Foto do Monte Aghá - litoral sul do Espírito Santo.


Sabe...
A gente anda por muitos lugares e muitas das vezes sem saber o que já se passou por lá.
E é comum não sabermos o significado dos seus nomes.
São tantas as coisas que não nos damos conta de perguntar.
Já pensou em saber o nome de cada estrela?
Existem muitas que estão logo ali (a poucos milhões de anos luz daqui).
Se pudéssemos ir lá para saber, mesmo sendo assim tão pertinho, creio que todas terão sua história para contar.
Quantas lutas! Podem dizer algumas.
Outras podem dizer: eu já fui fogo, viu?
É preferível ficar longe de outras, pelo menos por enquanto, porque elas ainda são fogo.
Até maior do que o nosso sol, que não é brincadeira de tão quente.
Não sei se alguma reclama, porque são geladas. Que frio!
Quanto há na vida para se pensar!
A cada metro de distância, no chão que pisamos, pode ter havido uma árvore que não sabemos o nome dela. Se ela chorou ou se ela sorriu. Se alguém se sentou debaixo dela.
Por esses dias, passeando com minha esposa pelo litoral do estado do Espírito Santo, fotografei essa montanha, conhecida por Monte Aghá.
Logo pensei na semelhança que poderia ter com a letra “H” (agá).
Não vi nenhuma semelhança, então fiquei sem entender por alguns dias, porque deixei para pesquisar depois.
O meio mais fácil foi consultar a Wikipédia -http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Agh%C3%A1.
Dessa forma, os morros, as ilhas têm suas histórias muito importantes para contar, mesmo que sejam de tempos longínquos. A gente passa por muitos lugares e às vezes nem se dá conta do que já se passou por ali. Só mesmo um bom estudioso de História para saber, mesmo assim alguma coisa deve escapar.
Passeando pela história desse Monte chamado Aghá entendi por que tem esse nome e fiquei sabendo um pouco mais sobre os indígenas daquela região, os Puris, que habitaram também outras terras.
Na língua deles o nome (Aghá) significa “lugar de se ver Deus”.

Juiz de Fora, 16 de abril de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de viagem.



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Meme Conheça o Blogueiro


Vista parcial da cidade de Juiz de Fora/MG, onde moro.
Foto tirada no Morro do Imperador, a 923m do nível do mar.
Ponto turístico da cidade.



Sou muito tímido para responder questionário sobre minha pessoa, mas digo que a indicação deste meme foi gratificante. Deixo aqui o meu abraço ao professor e amigo Bento Sales do blog http://bentovsales.blogspot.com.br - Literatura (folhas soltas), que nos brinda em suas páginas com a diversidade de seus conhecimentos literários e nos corresponde animadamente com seus comentários em nossas postagens.

Espero ter atendido pelo menos satisfatoriamente aos quesitos do meme que se seguem:

1 – Quando surgiu a idéia de criar seu blog?
Foi por sugestão de um de meus filhos, em 2010. Sempre gostei de escrever pequenos contos, poemas, reflexões e de desenhar. A sugestão foi ótima, pois me permite interagir com as pessoas que também partilham seus pensamentos e trabalhos em seus blogs. Tenho aprendido muito e isto é bem gratificante.

2 – Origem do nome do blog.
O nome Vivendo, revivendo, refletindo, desenhando surgiu depois que eu havia iniciado o blog. Mudei, porque esse espelha melhor a minha proposta de fazer as postagens, através de contos e reflexões sobre a vida e uma oportunidade de me expressar através dos desenhos também.

3 – Você teve/tem outros blogs além desse?
Não. Estou satisfeito com esse. É simples, mas atende minha proposta. É pena que nem sempre consigo acompanhar os seguidores como desejo, pois não gosto de fazer tudo “ao toque de caixa”. Mesmo que escreva pouco nos comentários eles são frutos de observações às vezes demoradas, para comentar com mais acerto. Assim sendo fico em falta involuntária com muitos seguidores, pois não consigo acompanhar como gostaria. Peço desculpas por essa falha.

4 - Já pensou alguma vez em desistir de seu blog?
Não é este meu pensamento, porém fico preocupado em trazer postagens que alegrem as pessoas e dar reciprocidade adequada aos outros blogueiros nos comentários que fazem em meu modesto blog, mas nem sempre as circunstâncias me permitem.

5 - Mande uma mensagem para os seus seguidores.
Essa experiência me traz muito acréscimo como pessoa, pois não faltam os que me alegram com bom ânimo. Que compartilham suas alegrias e nos fortalecem quando ouvem nosso coração. Que nos mostram seus trabalhos ricos em expressões diversas e pensamentos diversos. E compreendem nossas falhas. Isso é o bastante para agradecer essa convivência. Peço desculpas por não poder atender a todos adequadamente, como é do merecimento de todos e como eu gostaria, e muito, repito.


Sobre o blogueiro: Evaldo

1 – Uma música: Eu sou apenas um rapaz latino-americano”, - Belchior. Gosto da melodia e a letra tem a ver com o espírito de rebeldia, rompendo com padrões que muitas das vezes nos sufocam. A música é antiga, mas creio que cai bem a qualquer tempo, porque sempre é preciso mudar alguma coisa.

2 – Um livro:A Arte de Amar”, de Erich Fromm. – Aborda o tema do amor em seus vários aspectos. Foi um livro que li muitas vezes, no afã de compreender melhor essa necessidade humana, que vem com força dentro de nós, mas que às vezes nos embaralhamos para compreendê-lo, na diversidade de sua dimensão.

3 - Um filme: “Energia Pura” (Powder) – ficção. Retrata a vida de uma pessoa que está além do nosso tempo em compreensão das coisas, e por ser diferente, com a mente muito mais desenvolvida é rejeitado pela sua comunidade. Faz-me pensar o quanto ainda temos que evoluir.

4 – Um hobby: fotografia.

5 – Um medo: de cair no mar, pois não sei nadar.

6 – Uma mania: dormir com algum som ligado.

7 – Um sonho: que o mundo possa plantar e colher mais flores.

8 – Não consigo viver sem: ver um bom filme.

9 – Tem coleção de alguma coisa? Não. Se bem que tentei manter algumas, tais quais figurinhas, selos, cartões postais de cidades.

10 – Gostaria de fazer alguma pergunta para os próximos participantes?

Nada em particular, mas sei que as indagações podem ser muitas e cada um dos amigos seguidores que desejar participar fique à vontade para se expressar.
De qualquer forma, participando, ou não, deixo aqui meu agradecimento pela leitura deste meme e também fico agradecido pelos comentários que aqui fizerem.


Juiz de Fora, 09 de abril de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Respondendo meme

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Sempre: o ontem, o hoje, o amanhã. Reflexões






O sempre: o ontem, o hoje, o amanhã. 

Está feita a História, que se passa calada, soterrada no tempo, porque o ontem já passou.
O agora está a acontecer para ser o ontem do amanhã.
Em qualquer momento podemos escavar na memória, mas o que passou, passou. A imaginação voa em asas que se abrem e se fecham para construir o porvir. Levam desejos, vontades. Algumas se materializam, outras ficam apenas armazenadas na memória. O coração e os olhos servem para nos alegrar ou entristecer. Então se faz importante viver intensamente cada instante, da melhor maneira possível, pois o amanhã será um componente da esperança que se renova a cada dia. O passado deixa saudades ou tão somente lembranças diversas, alicerces para tecer a expectativa do que virá.

Juiz de Fora, 04 de abril de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões

domingo, 1 de abril de 2012

Desenho livre - expressões





Meus desenhos são assim meio malucos mesmo.
De repente surge uma vontade de fazer uns rabiscos digitais, sem compromisso com a arte, porque artista talentoso já nasce feito, eu creio.
E então, do nada (que dizem não existir), saem umas figuras assim, aleatórias.
Às vezes penso em desenhar um passarinho e os traços vão mudando e acaba saindo um navio. Até que gosto, pois não quero ser muito certinho e acabar sendo prisioneiro de mim mesmo, tal qual a aranha que constrói uma teia perfeita para viver na constância da solidão, embora acredite ser importante algum momento de recolhimento para reflexões e refazimento. Vejo que há espaços para expor esses rabiscos, desenquadrados das formas acadêmicas. Sem críticas a elas, pois aprecio e admiro as artes dos artistas que se esmeram em aperfeiçoar a beleza de seus traços, no papel ou nas telas, ou ainda, em qualquer objeto, pois a arte se expressa sob várias formas.

Juiz de Fora, 01 de abril de 2012
Evaldo de Paula Moreira
Desenho livre- expressões   

terça-feira, 6 de março de 2012

Desenho livre, abstrato - Série Pensamentos - O Dique




                               O Dique
Não sei como dizer o muito que tenho a dizer.
Não sou diferente de todo o mundo.
O coração transborda, sim.
Mas há momentos que é preciso segurar o dique, segurar as comportas.
A alma não está vazia, creio que todos nós somos assim.
Há mais qualidade no filete que corre das comportas que controlam o volume das águas, revoltas em tempestades.
Sem desmerecer os processos naturais de rompimentos.
Tudo faz parte das experiências humanas.
A natureza é mais sábia do que pensamos.
É preciso entendê-la e quando isso não acontece simplesmente retoma seu caminho – rompe o dique.
Nada incompreensível.
Assim somos nós no aprisionamento exacerbado da alma.
Explode o dique.
Nada incompreensível.

Juiz de fora, 05 de março de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Série Pensamentos – Reflexões – O Dique

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Série Pensamentos - Reflexões - Buscas






Buscas

Às vezes as indagações são tão inquietantes quanto encontrar respostas e não poder segui-las ou não encontrá-las.

No entanto, no hiato da procura, a vida flui abastecendo-nos na ponte que nos liga ao amanhã.




Juiz de fora, 22 de fevereiro de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Série Pensamentos - Reflexões sobre as buscas.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fotos de uma borboleta e texto "Entrevistando a mim mesmo"

                   

                        Parece uma folha seca, mas é uma borboleta              
                        que pousou no teto de minha sala.





“Entrevistando a mim mesmo”.

Visitando as salas.
(Elas estão no corredor da memória).


 ...

- Sei lá, entende?

- Parece que sei, mas de repente não sei se sei.

- Não, não é “matrix”.

Memória?

- As salas guardam as memórias, sim, mas a massa onde as salas ficam creio que é apenas um ponto material, de ligação com o imponderável, no nosso cérebro.

Coisas físicas que armazenam coisas extrafísicas?

- Sei, não, sabe?

- Dizem os estudiosos que temos bilhões de neurônios, mas tudo continua em investigação, porque sempre surgem novidades.

- Bom, mas não é isso que desejo falar agora.

- Nem responder o que não sei, nem responder o que não tenho certeza.

- Apenas figurativamente quero dizer que gosto muito de visitar uma das salas do corredor da minha memória.

- Esta sala é a sala da alegria, lá da minha infância, não a da alegria de agora, que existe também, porque o mundo é repleto de coisas belas. Mas a do agora falarei em outro momento.

- Nela está escrito: entrada proibida para a tristeza.

- Se existe sala de tristeza nesse corredor?

- Existe, sim, mas não ligo para ela. Ela não me faz mal nenhum e também não me traz nenhuma alegria. Apenas entro lá para fazer alguma pesquisa, quando necessária.

- Na sala da alegria, a alegria está garantida, por isso escrevo meus contos de infância.

- Bom... Hoje, naturalmente já se incorporaram muitas salas no meu psiquismo. 

- Existe, sim, uma sala no corredor, espelhando o que acontece agora. Fica bem na esquina da vida que fervilha. Haja fé pra suportar tanta coisa que vemos. Quando era pequeno, entretanto, aprendi a ver o suor no rosto das pessoas trabalhando sob o sol quente nas roças, ou pingando gotas de águas da chuva.

- Os animais também suavam no trabalho e se molhavam na chuva.

- Mas não me lembro de nenhuma tragédia, talvez por ser criança e lá na roça meu mundo era tão pequeno, embora parecesse infinito...

- Sim, havia rezas para súplicas, mas também para agradecimentos.

- Na sala do agora é tudo imenso e muito difuso. Há o belo, tem a natureza magnífica onde se luta uma luta desigual para não acabarem com ela. Pelo menos há uma conscientização de que é preciso preservá-la e recuperá-la. A fonte não é inesgotável e estamos todos interligados. A natureza não é nossa propriedade, somos parte dela.

- Se penso no progresso?

- Ah, sim, claro.

- A humanidade construiu e inventou tantas coisas...

- Entre elas a internet que é maravilhosa.

- É como uma imensa floresta, maior ainda, para ser conhecida.

- Mudou muita coisa, na vida, de modo geral.

- Perderam-se algumas referências...

- Destaca-se o bullying nas escolas, as drogas...

- Os trotes violentos...

- Bom, não vou generalizar, pois assim estaria vendo tudo maléfico, o que não é verdade, mas compreendo o que a maioria compreende: o mundo precisa descobrir outros caminhos.

- Mas, não é fácil ser criança. É preciso que os pais, ou outras pessoas onde elas possam se espelhar estejam sempre presentes na vida delas, amigas, como nunca se precisou tanto. Aliás, todos os adultos deveriam dar bons exemplos para qualquer criança.

- As informações e imagens chegam a tempo real em todos os lugares, muitas delas sem controle algum.

- reformulam-se os conceitos de vida, e ao mesmo tempo perdem-se valores importantes.

- Parece que a liberação é geral. Estuda-se um controle aqui, outro ali, mas, esse mar de comunicações em geral, é imenso.

- E o nosso dia-a-dia também, com a globalização das informações e das ideias, numa sociedade moderna, de produção e consumo em alta escala, onde o foco é a propriedade e a posse, deseja-se o ter cada vez mais, esquecendo-se de difundir o conhecimento do ser.

Por que você escreve tanto sobre a infância?

- Porque foi uma fase feliz da minha vida.

- Tanto no campo quanto na cidade pude contar com liberdade e espaço: no campo, espaço da natureza; na cidade, espaço das ruas, onde se podia andar com liberdade e sem medo algum.

- Respeito, amizade pelas crianças eram coisas naturais.

Tem mais algo a dizer?

- Muita coisa, mas o principal delas é dizer que é preciso mais difusão, mais debate desse assunto, dedicação, com relação às crianças, porque elas serão o futuro do mundo e esse mundo terá mais chances de ser feliz se começar feliz, lá na infância. As sociedades colherão amanhã o que semearem hoje. Colhemos hoje o que semeamos ontem. É preciso melhorar.

- A sala da alegria deveria fazer parte de todas as salas do corredor de nossas memórias, assim como a incorporação definitiva de todos os valores conquistados através dos tempos.

Juiz de Fora, 28 de janeiro de 2012.
Evaldo de Paula Moreira
Fotos  - borboleta  - Entrevista – “Entrevista” comigo mesmo.