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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O humor contagia








Estava em passeio lá pelas regiões do lago Paranoá. Num daqueles recantos mais afastados do centro da cidade de Brasília.  Fui dar umas voltas com as cadelas, duas, da casa da chácara onde morava um de meus filhos.
As cadelas eram muito amistosas, mas acostumadas a latir com tudo o que passasse por lá, até mesmo com os pássaros que pousavam nas gramas.
Um dia surpreendi as duas acuando uma coruja. Enorme coruja.
Eu me aproximei naquela “tarde-noite” para ver o que estava acontecendo. Elas poderiam estar em perigo atacando algum bicho peçonhento, mas não era isso. Era a coruja, deitada de costas para o chão, exibindo suas grandes garras em defesa de sua vida. Adverti-as para que se afastassem e me aproximei em auxílio à coruja e percebi que ela estava apenas muito assustada, porém mantinha suas asas abertas, em curva, embora estivesse deitada. Isso a fazia parecer uma ave grande, o que assustava as cadelas. Até eu mesmo fiquei com receio de suas garras e de seu forte bico. Não queria me aproximar para não assustá-la mais ainda, todavia desejava saber se ela estava bem. Enquanto isso eu acalmava as amigas “cãs”, se é que posso chamá-las assim, para não chama-las de cadelas, pois ficaram minhas amigas.  
Tive então a ideia de pegar uma vara de bambu que estava ali pelo chão e estender até as garras da coruja que não demorou em agarrá-la. Como ela se agarrou bem, no bambu, eu a suspendi até um galho de árvore, de modo que não pudesse ser alcançada pelas aparentes feras. Não quis perturbá-la, então a deixei imóvel da mesma forma que estava no chão, antes de subi-la para a árvore. Estava tão assustada que continuou na mesma posição de defesa, quando a coloquei na árvore, isto é, deitada de costas para baixo, e garras para cima.
Minhas amigas “cãs” se limitaram a observar com atenção o que eu estava fazendo, e não perturbaram mais a coruja que logo descobriu que estava livre e foi embora.
No dia seguinte observei que alguns pássaros, maiores um pouco, ou aves como a coruja que pousassem nas cercanias da casa eram espantadas por elas.
Adotei a postura de corrigi-las e sentar-me ao chão para simplesmente admirar a natureza. Os pássaros que se achegavam eram apenas amigos que compartilhavam conosco o mesmo espaço e não foram mais perturbados por elas.
Em outro momento saí para uma caminhada com aquelas amigas, segurando-as em suas coleiras, para evitar alguma surpresa durante a caminhada, pois ainda não estava acostumado com elas o suficiente. Havia naquelas redondezas uma chácara que produzia frutas, legumes, verduras e lá fui eu para conhecer, comprar e levar alguma novidade para casa.
Soltei as cadelas de suas coleiras, porque elas eram obedientes, dóceis com as pessoas, então não vi nenhum perigo em mantê-las assim por um trecho do caminho, para que elas usufruíssem dele como um recreio.
Ao aproximarmos de uma cerca havia uma vaca pastando calmamente do outro lado da pequena estrada. Não demorou ser avistada pelas “amigas” que de imediato puseram-se no seu encalço, expondo o natural instinto.
Foram então advertidas novamente e a vaquinha continuou sua pastagem sem dar muita importância a elas. Acredito ter adivinhado que aqueles latidos eram de cães que não mordem.
Chamando-as severamente, elas se postaram a meu lado, e nos limitamos apenas a observar aquele belo animal. Creio que foi novidade para elas conhecer aquele espécime diferente.
Acredito que os animais captam com muita facilidade o humor das pessoas.
Da mesma forma acredito que o humor humano contagia outro humano.
Alegria passa alegria...
É preciso não perder de vista que devemos retomar sempre o estado psíquico de bom humor para com a vida, pois ele dá melhor resultado em tudo o que vamos fazer.

Evaldo de Paula Moreira

Reflexões

11 comentários:

Ana Cecilia Romeu disse...

Evaldo, meu caro amigo!
Que bela surpresa sua nova postagem!

Tenho publicado pouco, e somente quando publico é que visito os amigos, e tive de excluir o blogroll por um problema de vírus, então somente agora que percebi sua atualização.

Os animais nos ensinam tudo, nós, seres humanos é que nem sempre percebemos isso. E a boa energia puxa a boa energia. A interação com os bichinhos nos faz seres melhores, mais altruístas, e eles mesmos nos mostram isso ao se relacionarem com espécies diferentes de animais. Se os ser humano conseguisse ser assim também... o mundo seria bem mais lindo. O que resta é a esperança e aproveitar tudo o que de melhor a natureza nos proporciona, sem agredi-la.

Caro amigo, estou com uma postagem recente de 3 anos do blog, uma humilde comemoração. Adoraria sua presença por lá. E fiquei, sinceramente, feliz com seu novo post!

Grande abraço para você e sua família!
Espero que tudo esteja bem!

Ana Cecilia Romeu disse...

Evaldo, meu amigo!
Vim para agradecer pelas belíssimas palavras por lá, mas não sei se as mereço...

Deixei uma resposta no blog para você, como tenho feito a todos amigos.

Muito obrigada!

Grande abraço e ótimo fim de semana!

Evaldo disse...

Obrigado, Cissa, pela presença sempre atenciosa.
Foi uma grande satisfação estar presente na comemoração de aniversário de 3 anos de seu espaço virtual.

Meu blog também não está atualizando a postagem no blogroll. Espero conseguir resolver para que fique visível.

Abs.

Elisa T. Campos disse...

Evaldo , caro amigo.
Só hoje vi que voltou. Ando meio atrapalhada e lerda por conta também de acessar o FaceBook,Cidade de Haicais, onde posto também haicais.
Mas enfim, estou muito feliz por você.
Em primeiro lugar adorei o seu desenho. És um artista nato.
E vejo como uma linda caricatura sua? Admiro quem faz arte assim. Acho difícil.
Quanto ao seu texto, adorei. Falar sobre bichos e natureza é tão gratificante. Sei que passou dias encantadores na casa de seu filho.
Dias iluminados para você e sua família.
Uma linda semana
Um grande abraço.

Evaldo disse...

Oi,Elisa!
Obrigado por gostar e comentar o desenho que foi feito aleatoriamente, até que parece um pouco comigo. Apenas quis ressaltar o estado de espírito de bom humor das pessoas e a historinha é verdadeira mesmo, que também tem a intenção de ressaltar a importância do nosso humor para harmonizar o ambiente onde estivermos, pois influencia até mesmo os animais.
Gosto da mesma forma de suas publicações, justamente porque nelas você expressa sua comunhão com a natureza, tirando dela aspectos interessantes com seus belos haicais e fotos. Maravilha!
Grande abraço!

dilita disse...

Olá Evaldo

Muito obrigada pela visita no meu blog, e pela apreciação favorável.
Recordei e escrevi,"agora" com um sorriso, bem diferente daquela noite em 1966 em que só comi canja e fui prá cama chorar.
Hoje recordo com saudade...

Neste blog já contei mais coisas deste género, e há dias falando com um amigo nosso, disse-lhe que me parecia que já tinha contado tudo, e que já não teria mais. Ele contrariou de imediato, que não, que eu ainda teria muito mais para contar.

São opiniões que nos acarinham, e dão alento para continuar.

E agora caro Senhor, um Bem Haja por ter voltado a postar. Os seus textos são duma humanidade contagiante no que refere aos animais. E a forma de escrever, um encanto. Mais parecia que eu própria estava a ver toda a paisagem, a aproximação da chácra,as aves...

Quero mais!

Um abraço, e o meu obrigada.
Dilita

Evaldo disse...

Olá Dilita!
Obrigado por ter vindo e comentado. Seu parecer é muito importante. Dá para sentir sua alma sincera nas suas palavras. Saiba que suas postagens muito me agradam também. Você apresenta os assuntos de modo bem peculiar. Continue escrevendo, você tem o dom da escrita e esta fonte é permanente. Gosto sobremaneira.
Um abraço.

Ana Cecilia Romeu disse...

Meu amigo Evaldo,
vim agradecer pelo comentário!

Muito obrigada pelas palavras que me servem também de incentivo para seguir a escrever.

Grande abraço e ótimo fim de semana a todos!

Nouredini.'. disse...

Amigo,
Ainda que domesticados os animais, incluindo a nós, ainda mantemos nosso instinto.
Guardada as proporções, creio que é um alento e podemos despertar da normose diária.
Obrigada pela vista ao cafeebolinho.
Abraços e votos de boas caminhadas e descobertas .
Nouredini

Evaldo disse...

Olá, Nouredini!
Obrigado pelo cafezinho com bolinho oferecidos em seu espaço virtual e a sua vinda elaborando comentários pertinentes sobre a caminhada. A vida é bem assim, repleta de possibilidades de aprendizado, convivência e acréscimo de entendimento sobre tantas coisas.
Obrigado por comentar.
Grande abraço!

Nouredini.'. Heide Oliveira disse...

Ontem revi uma série de postais dos ipês de BH e lembrei de você.
São belos e poéticos como a sua prosa.
Abraços e aguardo novos posts.
Votos de paz e hamronia,
Shanti