SEGUIDORES DE CAMINHADA

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os Campinhos da Vida - Conto





Os campinhos da vida.


No campinho, no terreno baldio, havia de tudo, nos domingos, ou nas folgas escolares.
Logo cedinho, no solzinho do verão ou no friozinho do inverno, a primeira turminha de meninos achegava-se devagarzinho, trazendo embutidas suas alegrias e às vezes, suas tristezas.
O primeiro menino que chegava era encontrado fazendo embaixadinhas com a bola que às vezes não ficava muito cheia.
Logo, logo, começava o chamado "racha" e a bola rolava torta, chutada com a leveza ou a força que cada um trazia no coração.
Alguns sorriam, outros faziam firulas pra cima dos que não tinham tanta destreza com as pernas.
Outros, ainda, ficavam zangados, quando alguém perdia o controle dela para o adversário, levando a sério o que era apenas uma brincadeira.
Nessas brincadeiras de futebol de meninos não havia traves de gol que eram improvisadas com duas pequenas pedras em cada um. Muitas das vezes o gol ficava sem goleiro porque o espaço dele era feito de propósito, pequeno, porque ali, quem jogava, eram apenas meninos.
Do lado de fora do jogo ficavam os outros meninos que preferiam outras brincadeiras, como empinar papagaio.
Às vezes a brincadeira do jogo terminava em gozação, pra desespero da turma que perdia.
Os que ganhavam, cantavam, num tom mágico de provocação, mas sem agressão:

- inha, inha, inha!
- arranja outro time pra jogar com a nossa linha!
- inha, inha, inha!
...!

Somente o tempo pode nos fazer mudar as regras do jogo, no qual seguimos destinos diferentes, deixando para trás o campinho infantil e o alegre papagaio, mas construindo outras alegrias.
Enquanto gira a roda da vida, outras crianças assumem esses cenários do campinho.
As atitudes, depois dessa fase serão outras, mas há espaço para se alegrar com a vida, sem precisar esconder as tristezas, que também existem na infância.
A vida é um eterno campo, que se alarga em horizontes. Tem águas rasas e águas fundas, onde podemos navegar com barcos de esperança. Há planícies e planaltos, com relvas e desertos de areias, com rochas e encantados arvoredos; é um teatro, com dramas e comédias, onde começamos cedo o treino, para sermos bem sucedidos como atores, cada um com sua medida, construindo o pote da própria existência.

 

Juiz de Fora, 07 de outubro de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de infância