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domingo, 12 de junho de 2011

Olha o pirulito!


Estava vivendo os encantos e descobertas de menino, desde então, na cidade grande.
Lá da vila onde vivia, ouvia uma voz, vinda da rua. Ela se aproximava e repetia:

-Olha o pirulitooo!
-Limão e groseeelha!

Sempre saía de casa e admirava o novo encanto, pois da terra de onde eu vinha, daquele doce não conhecia.
Lembrava, porém, do puxa-puxa. Do pedaço de rapadura, que também adoçava outros doces.
Aquele, do homem que o anunciava pela rua era diferente.
Vinham eles, pirulitos coloridos, envoltos em papel, enfileirados em uma caixinha abraçada pelos braços do homem que pausadamente repetia, num tom de voz cantada e encantada, para encantar crianças.
Quando me aproximava daquela caixinha e do homem que a abraçava, dele comprava um, daqueles criadores de sonhos. Olhava em meu redor e via outras crianças que também estavam encantadas pela voz que vendia ilusão, ajudada pelo doce colorido, em formato de pequena sombrinha.
A voz do encanto, depois de ter às crianças encantado não mais cantava. Apenas repetidas vezes perguntava:

-você também quer um?

Enquanto a meninada, o doce desembrulhava, lambendo os encantos da vida, a voz que cantava sonhos ia diminuindo e chamando:

Olha o pirulitooo!
Limão e groseeelha!

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Juiz de Fora, 12 de junho de 2011
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor