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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MUNDO VELHO, PORTEIRAS VELHAS










Mundo velho, porteiras velhas.
Nas estradas antigas, ainda de terra, eram os meninos que desciam das charretes para abrir as porteiras. Era bom abrir porteiras porque aproveitávamos para nos pendurarmos nelas, naquelas mais fortes, e usufruir dos seus percursos, ao fechar ou abrir.
Tudo que servisse de gangorra era bom. Segurar em cordas e balançar nas árvores também era bom. Ou então balançar nas gangorras, propriamente ditas, principalmente quando havia alguém para nos empurrar dando-nos aquele impulso para subirmos cada vez mais alto o que era mais emocionante.
Nas casas onde havia gansos nos terreiros as crianças tinham de tomar cuidado porque eles corriam atrás da gente, assim como fazia um cão estranho. E quando isso acontecia, a primeira idéia era correr e subir na porteira. Era muito divertido. Depois de passado o susto e já em cima da porteira, a vingança era fazer careta para os bichos, pondo a língua para fora.
As porteiras eram nossas amigas. Algumas, muito pesadas tinham de ser abertas por gente mais forte do que criança.
Porteiras, para nós crianças, não tinha o significado que aprendemos mais tarde: separar pessoas, terras. Por intuição, elas e as cercas serviam para proteger os animais para não sumirem de seus espaços. Além disso, elas enfeitavam os lugares, eram ótimas para subir nelas e brincar, e eventualmente ter como correr e se esconder de alguns animais que por ventura nos estranhassem.



Juiz de Fora, 14 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Conto de Amor