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terça-feira, 3 de agosto de 2010

MEU CÃO HERÓI


Meu cão, meu herói.

Dentre todas as saudades que me seguiram, não posso esquecer a do cão azulado, de mancha branca no peito e no pescoço.
Era o Peri, daquele mundão de roças, que abrigava a casa principal da minha avó materna, onde moravam também meus tios e tias, mais as outras casas, incluindo a de meus pais. Ele era o meu Peri.
Era um amor dividido, sim, porque quando me juntava a meus primos, naquela casa, somava-se a nós, o Peri, na empreitada de passar o dia, aproveitando o soprar do vento. Vento que fazia pequenos rodamoinhos e nos deixava questionando que mistério era aquele.
Eram o bééé, de um cabrito saltitando, o cacarejo duma galinha, pássaros pousando cá e acolá.
Gente assobiando e o roçar das enxadas, capinando o mato macio daquela época, preparando o sobrevir das plantações.
E o Peri corria conosco, como se a procurar uma caça.
Atirava um torrão de terra no mato e atrás dele ia nosso cão.
Quando o chamava, vinha, vinha, ele! Alegre, confiante, de rabo curvo para cima e orelhas em pé; boca entreaberta, língua pendendo para um lado, pingando saliva, para receber nosso abraço.
Mais tarde, já “em saudade” na cidade, viria amar outros cães, mas na televisão.
E quando via aqueles cães, lembrava que também tinha um, que ficara para trás, vivendo então, tutelado por outros abraços.
Nas telas das TVs, quem foi criança há muito tempo, igual a mim, lembra os seriados da Lassie, do Rin-Tin-Tin e do Lobo, o cão do seriado brasileiro Vigilante Rodoviário.
Entre uma realidade e outra, a da TV e a da roça distante, estava o prenúncio da realidade virtual.
Uma das lembranças ainda está aquecida no meu peito pelos tantos abraços que dei no querido animal.
É a feliz lembrança, de minha infância, daquele cão chamado Peri.

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Juiz de Fora, 03 de agosto de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor


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