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SEGUIDORES DE CAMINHADA

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aprendendo a escrever. Reflexões.




Não dá para esquecer as professoras e professores que já me assessoraram a vida.

Ensinar é algo muito mágico, que exige talento, paciência e amor.

      Aprender o b, a, bá não foi tarefa fácil, ou melhor, era difícil, mas foi fácil, por causa da paciência da professora. Felizmente, mesmo no campo, não conheci o “método da régua” para quem errava ao aprender. A professora usava o método do carinho, do elogio. Havia severidade quanto a respeito, atenção em aula. Nada, entretanto que demonstrasse desamor ou agressividade. A busca era a do comprometimento com o aprendizado. Houve tempo mais antigo que foi desse jeito, rude. Professores sempre de réguas na mão, prontos para o castigo.

              Eu só guardo a gratidão pelo carinho recebido nas escolas onde estudei.

              Hoje em dia existem lugares na Europa onde querem abolir a caligrafia. Em pouco tempo, acredito que o notebook substituirá a caligrafia.

              É claro que não podemos abrir mão da modernidade, mas só me resta saber de que sentiremos saudades. De pessoas ou de objetos?         Ou a saudade não vai ser necessária, mais?


Brasília, 07 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de infância

                              

Desenho Livre - Pensamento - Reflexões

terça-feira, 5 de julho de 2011

Conhecendo o Radio Antigo - Conto


                                       
A primeira vez que vi e ouvi o radio foi na casa de uma tia.
Sua casa era mais perto da cidade, onde havia uma estação de trem.
Fui lá, passeando pelas estradas, que davam muitas voltas. O trajeto foi feito a pé, junto com outra tia.
Para cortar caminho, andamos um trecho pelas beiradas da estrada do trem.
Minha tia usava uma sombrinha, por causa do sol quente.
Chegando naquela nova casa, tinha novidades. Coisas diferentes, que nem fazia idéia do que eram. Havia um fio comprido, que ia da cabeceira da cama até o teto de um dos quartos, com uma pequena peça escura, na ponta, e um pino branco que a gente apertava e acendia, no alto, uma tênue luz.
Era novidade, porque só conhecia a luz da lamparina, do lampião, do sol, da lua e a do vaga-lume.
Mais intrigante ainda era o rádio. Uma caixa que falava, e, minha tia, dona da casa, não soube me explicar como aquilo acontecia, porque eu era muito pequeno e não havia parâmetro na minha mente para entender tal novidade.
Quando voltamos, no dia seguinte, as novidades já estavam esquecidas.
Sempre havia algo para intrigar, como por exemplo, o coaxar do sapo que nunca via, chamado sapo martelo. Os insetos e animaizinhos noturnos sempre emitiam sons intrigantes e queria saber como.
As respostas vieram mais tarde, estudando as vozes onomatopaicas, na cidade. Os meios de comunicação e muito mais.
Passado algum tempo após eu ter conhecido o radio, meu pai comprou uma vitrola, tipo gramofone. Tinha um móvel parecido com uma máquina de costura. A gente girava uma manivela para dar corda e colocava um disco de rotações rápidas para tocar aquelas músicas antigas.

Brasília, 05 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de Infância.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Explorando espaços.




Tudo era tão perto, no Córrego São Pedro.

Mas parecia tão longe.

Perto da casa de meus pais ficava a estrada de trem de ferro.
Aos fundos, a mina d’água.

De um lado ficava uma coberta, que chamávamos de pindoba, ou rancho, para estender as folhas de tabaco para secagem, depois de estaladas, e guardar outros apetrechos, próprios do campo.

Mais um pouco aos fundos, um brejo, onde se plantava o arroz e passava um pequeno córrego, o qual terminava num rio, perto, mas que parecia longe.

Até então, tudo tão perto.

Mas a exploração do terreno foi feita aos poucos, desde o treinar dos passos cambaleantes, quando tudo parecia tão longe.

E, lá, distante, porém, não tão distante, via-se a venda, na beirada da estrada.

Aos poucos, o longe parecia perto e então os passos treinados chegavam à casa de meus avós, a qual dava para vê-la, da casa de meus pais.

E era na casa deles, meus avós, que mais ficava.

Onde também morava nosso cão chamado Peri. Bonito, alegre, vistoso. Azulado, com manchas brancas no peito.

Ficar lá era muito, mas muito mais “bão”.

Tinha um grande terreiro, e também um paiol e uma coberta do carro de bois.

Em volta, um pequeno lago, que movimentava o moinho de fubá.

O curral, o engenho de moer cana, cujo caldo corria para a fornalha que a fervia e se transformava em rapadura.

Na saída do terreiro ficava uma pequena estrada que dava para ver minha saudosa casa.

Mais perto de mim estava meu coração, que na casa grande me prendia pelos encantos.

Era também onde moravam casais de periquitos e canarinhos que faziam seus ninhos sobre os galhos de dois altos pés de cedro, um em cada lado, da saída do caminho. 

Habitavam emprestadas, as casas de João de Barro.

Os pés de mamão também adormeciam na beira do terreiro e não ficavam sozinhos porque durante o dia eram visitados pelos vários passarinhos.

Tudo parecia tão perto, porque era lá que mais me amainava. Onde recebia os abraços e os colos tão queridos e jamais esquecidos.

Aos poucos fui conhecendo lugares que pareciam tão distantes...

O pasto que alimentava a pequena manada de gado, os cavalos, os cabritos.

A mata, que com o tempo deixou de ser temida.

Os diversos caminhos que iam para diversos lugares, que com o tempo foram ficando tão pertos, naquela época de menino, andarilho.

Até que um dia, ainda pequeno, levado pelo carro de bois até uma estação, em Diamante de Ubá, ocupando o banco de um vagão de trem, fui levado com meus pais, para tão longe...

E longe, daí para frente, sempre foi o meu destino, embora por várias vezes, lá voltasse, até que um dia, já não era mais, menino.

A meu mundo somaram-se outros espaços, que no inicio, sempre pareciam todos muito distantes.



Brasília, 04 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de Infância

domingo, 3 de julho de 2011

Curtindo a infância.



Quando recebíamos visitas vindas de outros lugares também chamados de Córregos era sempre uma alegria. Morávamos no Córrego São Pedro. Não faltava brincadeira, para estender a alegria.

Havia uma família de parentes nossos que nos visitavam e moravam no Córrego Alegre. 

Chegavam de charrete e a cavalos. A recepção era na casa grande da minha avó e de alguns tios e tias, ainda solteiros.

Juntávamo-nos com a criançada do lugar mais as visitantes. 

Meninos e meninas tinham suas brincadeiras, e trocávamos as novidades.

Admirávamos as meninas que sabiam fazer peças de barro, secadas ao sol.

Simples, rudimentares, porque eram feitas por mãos pueris.

Mas ficaram marcadas no tempo essas gostosas lembranças, de convivência, na infância.

Talvez seja por isso que aprendi admirar mãos artistas que modelam tão belas peças de cerâmica, ou de madeira, ou de metal, e tantos outros artesanais.



Brasília, 02 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor