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SEGUIDORES DE CAMINHADA

domingo, 3 de julho de 2011

Curtindo a infância.



Quando recebíamos visitas vindas de outros lugares também chamados de Córregos era sempre uma alegria. Morávamos no Córrego São Pedro. Não faltava brincadeira, para estender a alegria.

Havia uma família de parentes nossos que nos visitavam e moravam no Córrego Alegre. 

Chegavam de charrete e a cavalos. A recepção era na casa grande da minha avó e de alguns tios e tias, ainda solteiros.

Juntávamo-nos com a criançada do lugar mais as visitantes. 

Meninos e meninas tinham suas brincadeiras, e trocávamos as novidades.

Admirávamos as meninas que sabiam fazer peças de barro, secadas ao sol.

Simples, rudimentares, porque eram feitas por mãos pueris.

Mas ficaram marcadas no tempo essas gostosas lembranças, de convivência, na infância.

Talvez seja por isso que aprendi admirar mãos artistas que modelam tão belas peças de cerâmica, ou de madeira, ou de metal, e tantos outros artesanais.



Brasília, 02 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor

sábado, 2 de julho de 2011

Fazer nada.



Foram muitos os momentos que andei pelas estradas de terra, quando menino. Acompanhado ou sozinho, por conta do fazer nada.
Era chamado de menino andejo.
Olhava os passarinhos, as folhas das árvores e muitos outros bichinhos.
Formigonas e formiguinhas.
Algumas eram guerreiras e outras, mas essas outras iam buscar comida lá na cozinha, na casa que também recebia outros bichinhos. Eram formigas boazinhas.
As doceiras que também gostavam da doce rapadura.
Outras coisas eu também olhava, aproveitando o fazer nada.
De vez em quando, ajudava juntar e carregar alguns galhos secos que acendiam o fogão. Mas, isso, não era nada.
A lenha mesmo, que cozia o feijão, era lascada por outros, com o machado.
Ficava intrigado, porque havia por lá um homem que também se chamava Machado.
Dessas coisas, no começo, não entendia.
Só ficava por conta do fazer nada.
Lembro-me que um dia não conseguia escapar de cima de um disfarçado formigueiro, daquelas formigas miudinhas, chamadas lava-pés. Só sabia chorar e pisotear, sem sair do lugar.
Um tio que também tinha um nome incomum, chamado Soninho, foi quem me socorreu.
Aprendi a lição: tem formiga que mesmo pequena, morde. E dói muito.
O socorro do meu tio também ficou guardado como lição: aprendi a guardar gente no coração.
Às vezes questiono o significado do nada.
Se nada fizesse, não me lembraria de nada.
Nem da interação com a chuva, com o Sol, com o chão, com todos os seres viventes: da casa, do chão, da terra, da água, do mato.
Nem do olhar de gente.
Do cão que lambia os beiços, olhando-nos, pedindo comida.
Não teria como escrever meus pequenos contos.
Nem cercar-me das dores, nem onde se guarda o amor.
Nem aliviar-me das dores ou cobrir-me de alegrias, nas minhas poesias, e nas dos outros, quem sabe?...
Será que viver a vida de criança por conta do nada é não fazer nada?

Brasília, 02 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor. 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Há tantos ilimitados limites. Reflexões.





Ah!
Gostaria de saber como resolver todas as minhas ânsias...
Limitadas, neste céu sem limites.
Ânsias sofridas.
Ânsias indefinidas.
Ânsias...
De tantas alegrias.
Oh, vida!
Que me deu cinco sentidos.
Como fazer para abraçar e reter tantos encantos?
Equilibro-me entremeio a desencantos, que me arrocham, invariavelmente me transformam em couro curtido...
Vivo intensamente por ser maestro dos sentidos.
Mesmo usando o sexto sentido não posso conter esses ardentes desejos.
Desejos de ter.
Desejos de tão somente ser.
Há maestros que ficam pelos caminhos, temporariamente embevecidos, maravilhados em suas músicas.
Há outros que estão lá na frente, nos palcos iluminados ou escurecidos, orquestrando as lágrimas e os sorrisos, olhando as flores e os abismos.
Vendo os olhares que olham outros olhares.
Limitadas ânsias...
Porquanto o céu não tem limites...
A vida é repleta de músicas, maestro!
É repleta de cheiros e perfumes.
Olhem quantas cores, artistas do pincel.
Sintam quantos amores e quantas dores existem, poetas.
Quanto mais variadas são as cores mais belas são as telas, senhores pintores.
Tudo isso traduz em formas ilimitadas...
Nossas finitas ânsias.
Feitas de amores e temores.
Num céu que abriga as estrelas...
E incontáveis atores.


Brasília, 27 de junho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões.

domingo, 26 de junho de 2011

As estações do tempo. Reflexões.



Foi assim.
Ainda é assim.
Cada dia há um assunto novo.
Depois de nascermos, descobrimos as primaveras.
Após, aprendemos sobre o verão...
E assim vamos descobrindo as outras estações.
Recapitulamos, contamos nos dedos:
                        -primavera
                        -verão
                        -outono
                        -inverno
Pronto: já está aprendido e apreendido. Decorado.
Ora! Quando era pequeno, naquelas vivências no campo, que ficaram distantes no tempo, havia muito que aprender. Aprendi que o canzil fica na canga. Que o cabresto foi inventado para dominar o cavalo.
Já repararam? O tempo também deixa as coisas distantes. A separação que nos separa, não é apenas física, porém, igualmente temporal. E surgem novos usos, enquanto outros entram em desuso. Muita coisa, não obstante, anda em paralelo. O velho costume, com o novo.
Agora temos a internet, selva pouco habitada, igual eram as antigas florestas.
Pensemos, entretanto, um pouco mais.
Aprendi naquela época de menino, que mais antigamente nas florestas não habitava gente igual a nós. “Os descobridores” olhavam para elas, mas não as viam como se viam as pessoas iguais a eles. Depois, de tanta derrubada, e a nova civilização instalada por nosso continente afora é que se descobriu a verdade.
Hoje sabemos que nelas já existiam e ainda existem gentes, em determinadas matas que sobraram. Todos sabemos disso, entretanto, para algumas pessoas, gente tem diferença de gente. Há quem pense que há gentes que não são viventes, com o mesmo querer, com o mesmo direito. O Sol existe só para os privilegiados. O resto é resto. Não tinha importância eliminar alguns nativos e outros seres agregados nas florestas.
Esse assunto leva-me a outra lembrança. Às vezes penso no Judas. Jesus já o perdoou, mas ele ainda continua sendo malhado. É o mesmo que acreditar cegamente nas penas eternas. É desejar que a fogueira esteja eternamente acesa, e quem caiu nela, que continue nela.
Bom, eu sei que isso é muito complicado. Também não tinha boa impressão do Judas. Depois o tempo veio me trazendo novidades. Descobri que existem tendências, interesses e mentiras.
Descobri que não é preciso ficar com a mesma avaliação sobre Judas, pois, na realidade ele gostava e acreditava muito em Jesus. Esperava, sim, que Ele mostrasse seu milagre, seu poder imbatível. Portanto, na dúvida, mudei de tendência e me coloco em nova expectativa, a favor do réu: “in dubio pro reo”.
Então, nessa internet, navego por mares antes nunca navegados.
Ainda está difícil de entender o que foi dito há dois mil anos: “Pai perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”.
Mas já sabemos navegar na internet. E, lá na frente, acreditamos na existência das naves espaciais. Nas viagens interplanetárias. Em outras dimensões de espaço e de tempo.
Repararam que nos filmes de ficção científica os homens e outros seres inteligentes (que ficticiamente existem) sempre estão em guerra? Impressionante. A maldade e a bondade parecem que caminham eternamente juntas.
Mesmo com todas as descobertas vê-se que o tempo voa. Mas olhai bem, porque há outros passados mais antigos que o nosso. Bons e maus passados.
Assim podemos dizer que há pontes que ligam as eras distantes ao presente e o presente ao futuro.
Não percamos o próximo capítulo: daqui a mil anos, pelo espaço afora, será que ainda malharemos o Judas? A vida continua em paralelo, com o velho e o novo pensamento. Cada um de nós vive a sua ponte. Ou múltiplas pontes. Com julgamentos permanentes e nossas sentenças, eventualmente, reformuladas.
Primavera, verão...


Brasília, 25 de junho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões