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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Conto de infância - O vento e o milho - reflexôes





                                  O vento e o milho. Conto de infância.

O vento, na maioria das vezes, soprava calmo em meio à roça de milho.
Colhido, o milho era carregado em balaios, nas costas, pelos trabalhadores no pequeno sítio destinado à lavoura.
Ele produz uma série de alimentos deliciosos desde quando está verde. A lista é grande. Tente fazer uma, mentalmente. Gostava muito quando minha mãe fazia mingaus, doces, com um pouco de canela em pó espalhada por cima deles, que eram servidos em pratos esmaltados.
Assado nas brasas do fogão de lenha ou cozido, quando verde, seja de um jeito ou de outro, verde ou maduro, o milho sempre foi e sempre será uma das maiores riquezas que alimentam o mundo.
O pé de milho é muito vistoso, exuberante, este é o olhar que tenho por ele.
Quando é novo exibe uma folhagem verde, a qual abriga junto aos caules as espigas que produzem também uma espécie de cabelos que podem ser utilizados como chá.
Eu dizia, entretanto, que o vento soprava suavemente, nesta minha saudosa lembrança.
Andava pelo meio da roça, cujo milharal quando amadurecia deixava de ser da cor verde e assumia a tonalidade da cor da terra em que era plantado.
Interessante, é que suas folhas não os abandonam, e todos juntos, raízes, caules e folhas eram deitados sobre a terra para devolver a ela a parte que sobrava de seus nutrientes, após entregar ao homem as espigas maduras ou não, para serem transformadas em fubá e em tantos alimentos. Pode até mesmo ser utilizado para fazer combustível que move as máquinas.
É por isso, talvez, que essa planta é tão bela e imponente. Será que ela tem orgulho de si mesma por ser tão útil?
- Ora! Dizer que ela tem orgulho é por minha conta. É apenas uma divagação para tentar embelezar a história.
O que estou escrevendo está aprisionado num lampejar de memória onde me vejo ainda menino, quando eu usava calça curta com suspensório, e estava olhando as pombas coloridas e rolinhas que aproveitavam o frescor das terras fofas, cheias de alimentos, tais quais bichinhos e sementes de milho caídas pelo chão.
O milho entra na história, entretanto, não para eu comentar sobre especificações nutricionais dele, e sim por lembrar com alegria de como as sementes eram jogadas um pouco em cada cova pequena, centenas delas, por dia. Depois chegava a chuva e então brotavam aquelas plantinhas verdes, tão bonitas.
Mas era sobre o vento que eu queria contar.
Ele fazia pequenos rodamoinhos pelo chão, levantando um pouco de poeira e ciscos vindos das canas de milho já deitadas na terra. Vinha muito suavemente, nesta lembrança que me sobressai agora, na memória.
Às vezes queria saber como se davam aqueles acontecimentos.
Ventos, pequenos rodamoinhos, eram mistérios que sopravam suas perguntas, a encantar crianças curiosas.
Mais tarde estudaria sobre eles, na escola. Saberia, então, que eles são o ar em movimento. Aprenderia um pouco mais sobre a forma em espiral dos rodamoinhos, e dos furacões que varrem tudo o que há pela frente.
Hoje em dia os satélites artificiais enviam imagens e notícias em tempo real de todos os cantos do mundo. Não posso esquecer, todavia, as folhas secas que o vento espalhava sem bravura, quase silenciosamente, mantendo calmos os nossos sentidos.
Muitos mistérios são desvendados, a começar por aqueles surgidos na infância, que adoçam nossas vidas tal qual faz o milho, ou despertam nossa atenção, tal qual nos fazem os ventos e as estrelas.
As surpresas da vida nos vêm em qualquer idade. Sopram-nos o paladar e a curiosidade desde o primeiro suspiro e não param mais.
É imenso o mundo das surpresas, todos nós sabemos. Incalculável mesmo. Acredito que esta imensidão nos faz todos, crianças. Pelo menos nesta instância espacial em que vivemos. Tudo não passa de um berço, cheio de novidades para se admirar, saborear e tentar entender.
Seriedade é apenas mais um aprendizado, necessário, claro, para compor a nossa personalidade, mas que deve dar passagem à alegria, para não enrijecer a alma. Instintivamente, o bebê também fica sério, até baba e franze a testa, quando tem algum brinquedo em suas mãos e não o compreende. Depois esquece e passa para outra. Vai experimentar outros sabores e outras aventuras, até mesmo descobrir que pode pular do berço.

 

Juiz de fora, 28 de novembro de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões – vento – milho – espiral

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Esse papo é bom - III



                       Os aros e as circunferências da vida - reflexões


A vida é feita de aros, Gina.

-Como assim, Jorge?

A gente nasce, morre e parece que voltamos de novo. É um aro.
Cumprimos nossas tarefas diárias e no fim voltamos para o descanso. É outro aro.
A Terra, os demais planetas, as estrelas, têm formas de aros.

- Não é melhor dizer circunferência? Fica mais bonito, Jorge.

É apenas uma metáfora, Gina. Quando penso em aro, penso que ele pode ser um pouco irregular. Lembro-me das brincadeiras com vários tipos de aros quando era criança. Brincava tanto que eles até entortavam.
A Terra não é exatamente redonda, muito embora se pense nela como círculo perfeito.
Da mesma forma é o aro. A gente pode brincar até ele entortar que continua sendo aro. Aro de brinquedo.

- Pois é! Estamos acostumados a pensar nas medidas exatas e, a Terra, além de não ser perfeitamente redonda faz um movimento elíptico em torno do Sol, ajudando a gerar as estações diferentes, do ano.

Plutão faz uma órbita meio maluca em torno do Sol.
E assim vai a vida. Dá muitas voltas, tem muitos aros, mas... Nem tudo é brinquedo.

- Parece justo. É bom saber que os aros existem. Você lembrou bem, Jorge. Desse modo não precisamos ver tudo com a rigidez exata da circunferência. É a matemática da vida, que pode também ser maleável.




Juiz de fora, 23 de novembro de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões – aros da vida

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sala de Humor - "A ventríloqua" e "a boneca insolente"




Sala de humor – "A ventríloqua" e "a boneca insolente".

-Baby..., vamos ver se você se comporta, hoje, hein?
- Depende de você, né? É você quem fala, ué! Eu só faço de conta...
- Olha! Já começou de novo... Pode parar. As pessoas estão te ouvindo, isso não é jeito de falar.
Diga-me uma coisa, por que é que você pintou tanto assim o rosto? Não está demais?
- Ué! Foi você quem me preparou. Por que pergunta?
- Minha nossa, você não muda mesmo. Ainda bem que estamos numa platéia de adultos.
Diga-me outra coisa: se você continuar assim, o que é que você vai ser quando crescer?
- Serei a mesma boneca. Ué! E nem vou crescer, ora... Você é quem vai mudar. O Pinóquio foi quem virou gente. Eu não.
- Pára com isso, Baby, querida. Todo mundo está rindo de mim. Você não tem pena?
- De novo? É você quem está falando, não sou eu! Vou me levantar e dizer bem alto pra todo mundo ouvir: eu sou uma boneeecaaa!
- Olha! Seja mais educada. Eu não te agüento mais. Estou humilhada. A platéia está toda em gargalhada, zombando de mim. Vou chorar. Eu vou embora.
Desculpa-me, gente. Essa menina não tem jeito. Não volto mais com ela. Ela não muda. Estou indo...
- Ô Linda! Linda!...
- O que é?
- Todo mundo está te aplaudindo, olha! Acho que você pode me trazer de novo.
- Minha nossa! É mesmo!
Oh, Baby! Desculpa-me, querida. Eu tenho coração mole. Prometo que não vou te abandonar.
Obrigada, gente.
Muito obrigada!

Juiz de fora, 09 de novembro de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Ventriloquia  – A boneca insolente

domingo, 6 de novembro de 2011

Homenagem ao Blog HumorEmConto

         
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