SEGUIDORES DE CAMINHADA

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELICIDADE...



Felicidade que já vi acontecer, sem saber que precisava questionar.

Quisera ser bom igual foram aqueles que já se foram.
Aqueles, cujos contos lá da minha infância já contei e continuo contando.
Não sei se eram bons porque oravam muito.
Ou se oravam muito porque eram bons.
Tinham bondade e simplicidade, naquele tempo distante onde a terra continua sendo terra, mas não produz mais horta, apenas pasto para o gado.
Sem TV, sem satélite, sem internet, sem biblioteca, naquela época.
Mas sabiam falar com Deus.
Hoje, se questiona Deus, com a sabedoria das informações espetaculares, que ensinam tudo.
A cabeça funciona mais do que antes. Mais do que o coração que ficou calado, esperando as promessas do saber. Coração que aguarda a fórmula definitiva pra ser, igual era antes, constantemente feliz, mesmo nos momentos de lágrimas, porque elas eram aceitas como benditas.

Juiz de Fora, 30 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Amor

BOLSA - desenho livre

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL - desenho livre

A CONTADORA DE HISTÓRIAS


A contadora de histórias.
Hoje ela conta histórias lá no céu.
Com certeza deve ocupar cargo importante na hierarquia de contar conto de fantasia para as crianças.
Era minha tia quando viajou para a Terra e viveu conosco.
Já faz muitos anos e talvez tenha vindo para semear o amor no coração dos sobrinhos e sobrinhas contando suas histórias.
Foi a paz vivida, que durante muitos anos também soprou as brasas do fogão de lenha para aquecer as panelas de pedra naquela casa grande onde vivia com seus pais e seus muitos irmãos. Era a principal cozinheira da casa, onde as tarefas eram divididas entre os homens e as mulheres. Cada um assumia seu quinhão de responsabilidade.
Acho que aquela casa foi habitada por anjos porque nunca vi algum dos meus tios usarem faca de ponta na cintura. ...nem garrucha escondida no corpo. Essas coisas eram comuns prá todo lado. Mas naquele lugar, chamado Córrego São Pedro, nunca soube de algum incidente que pudesse ter maculado seus habitantes, naquela época.
 Esses apetrechos eram usados mais como adornos, vaidade de homem. Claro que também tinham suas utilidades. Picar fumo e fazer cigarro de palha, por exemplo. Havia uma “venda” naquele lugar, onde as pessoas se aglomeravam aos domingos e passavam o dia por conta do nada. Alguns, por conta da cachaça.
De vez em quando, sim, alguém que houvesse bebido demais se lançava em desafio, riscando faca de ponta no chão. Mas logo surgia a turma do “deixa disso, compadre”. Então, possíveis desavenças eram dissipadas.
Fora daquela redondeza já não posso falar a mesma coisa, infelizmente. Faca, foice, porretes e garruchas não eram apenas apetrechos da vaidade em alguns momentos de perturbação do ser humano.
Mas esse conto não vai desenrolar sombras, porque acho que aprendi com a querida tia, não tanto quanto ela era, mas um pouquinho do jeito de tecer os cenários, sem esconder as mazelas da vida, mas de ressaltar que o amor sustenta mais a vida do que qualquer outro sentimento.
Foi com ela que aprendi a história de João e Maria, que era contada um pouco em cada noite, para fazer a criançada dormir cheia de sonhos e expectativas para a noite seguinte, com alegria. Era comum a visita dos sobrinhos e sobrinhas aos nossos avós e um dos requisitos que não faltava, eram as histórias envolventes da carinhosa tia Izolina.
Juiz de Fora, 23 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira 
Conto de Amor

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O GRITO E O ECO


Ante o grito e o eco, ante o olhar varredor do perto, e do distante horizonte, o pensamento busca resposta dentro e fora de mim.
Nas florestas e nas águas cheias de viventes, embora em momentos não aparentes, nenhum responde o perguntado no grito sem saber o que foi indagado.
Grito apenas gritado, apenas por estar intrigado.
Somente o eco responde, repetindo a pergunta, porque também não sabe o que desejamos saber.
Grito gritado para o infinito, afogado na própria pergunta.
Ante o grito e o eco, a única e remota resposta para o viver está no tempo da vivência, grudado na consciência: é tão somente a fé.
Juiz de Fora, 20 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Amor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MUNDO VELHO, PORTEIRAS VELHAS










Mundo velho, porteiras velhas.
Nas estradas antigas, ainda de terra, eram os meninos que desciam das charretes para abrir as porteiras. Era bom abrir porteiras porque aproveitávamos para nos pendurarmos nelas, naquelas mais fortes, e usufruir dos seus percursos, ao fechar ou abrir.
Tudo que servisse de gangorra era bom. Segurar em cordas e balançar nas árvores também era bom. Ou então balançar nas gangorras, propriamente ditas, principalmente quando havia alguém para nos empurrar dando-nos aquele impulso para subirmos cada vez mais alto o que era mais emocionante.
Nas casas onde havia gansos nos terreiros as crianças tinham de tomar cuidado porque eles corriam atrás da gente, assim como fazia um cão estranho. E quando isso acontecia, a primeira idéia era correr e subir na porteira. Era muito divertido. Depois de passado o susto e já em cima da porteira, a vingança era fazer careta para os bichos, pondo a língua para fora.
As porteiras eram nossas amigas. Algumas, muito pesadas tinham de ser abertas por gente mais forte do que criança.
Porteiras, para nós crianças, não tinha o significado que aprendemos mais tarde: separar pessoas, terras. Por intuição, elas e as cercas serviam para proteger os animais para não sumirem de seus espaços. Além disso, elas enfeitavam os lugares, eram ótimas para subir nelas e brincar, e eventualmente ter como correr e se esconder de alguns animais que por ventura nos estranhassem.



Juiz de Fora, 14 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Conto de Amor

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

NASCER E CONHECER




Nascer e conhecer.
De repente, vem o mundo, ou, venho ao mundo.
Então, aos poucos, tudo é mundo. Tudo se incorpora no mundo da gente.
O que os sentidos vão sentindo, passam a fazer parte do nosso conhecido mundo. Cada um de nós conhece o mundo de acordo com suas circunstâncias de vida e sua maneira peculiar de ser. Sua imensidão ocupa de maneira diversificada o pensar de cada cabeça. Fantástico! Surpreendente! A tal ponto de deixar muita gente perdida no pensar, mas ao mesmo tempo organizado para levar máquina à Lua e em outras paragens do cosmo.
Assim, na roça onde nasci, além das coisas da natureza, ou seja, árvores, matas, animais, pessoas, aves, rios, existiam poucas coisas mais, além das casas, ferramentas de trabalho, como martelos, pregos, serrotes, arados, debulhadores de milho, etc. O engenho de cana, veículos de locomoção, como charretes, carros de boi, bicicleta. A linha do trem e o trem.
Um dia, entretanto, algo muito estranho apareceu. Algo novo, muito surpreendente guiado pelo homem: um objeto grande, que se movimentava com rapidez, para cortar e aplainar a terra. Desbastava barrancos para alargar estrada de terra. Máquina diferente que precisava de menos gente para realizar certas tarefas, substituindo picaretas, enxadas, enxadões. Precisava apenas de um operador, um motorista especializado.
Barulhenta, soltava fumaça. Tinha muitas varetas (câmbios) para mudar as marchas. Eram impressionantes aquelas rodas gigantes chamadas pneus. E uma pá enorme que arrastava um monte de terra de uma só vez.
Foi naqueles rincões antigos que conheci a primeira máquina de terraplanagem, juntamente com outras pessoas, igualmente curiosas, que se achegavam para vê-la trabalhar. Raspava e revirava a terra, que exalava o cheiro próprio de terra capinada, ou arada, para receber plantio. Ficou por um dia, fez o serviço necessário e não voltou mais. Somente após muitos anos depois me deparei com máquinas daquele tipo novamente, desbravando estradas deste imenso Brasil, ou executando outras tarefas, quando então, comecei a ler sobre elas. Continuam até hoje em dia, admiráveis, às vezes assustadoras pelo porte cada vez maior, e pelas incríveis tarefas que são capazes de realizar, apresentando diversidade de modelos e novidades mundo afora.

Juiz de Fora, 07 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Conto de Amor

Desenho Livre

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

POEMA - GUERRA DE CHOCOLATES



Queria que as bombas fossem de chocolate.

E que os mosquetes mirassem os peitos, mas não de inimigos.

Quando explodissem os projéteis, não espalhassem estilhaços, mas bombons recheados de melaço.

E a fumaça fosse apenas festa de fogos de artifício.


Evaldo de Paula Moreira             
Juiz de Fira, 01 de dezembro de 2010.
Poema de Amor