SEGUIDORES DE CAMINHADA

quinta-feira, 29 de julho de 2010

PARANÁ




Esteticamente bonita.
Criativamente bem bolada.
Espero que a mensagem alcance sua proposta.
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Fotos que tirei em frente ao Estádio Joaquim Américo Guimarães, na bela Curitiba.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

SABEDORIA E AMOR

MEDO


Medo.
O meu medo é do medo que tenho agora, muito embora saiba que depois desse medo vem outro medo.
Não adianta viver com medo, mas é ele que nos faz crescer, porque, ao lutarmos para superá-lo, aprendemos a viver.
É também aí que evoluímos.
Seria bom se fosse sem ele. Mas ele é a prova de que ainda somos pequenos.
E saber disso é o meu maior medo, porque algo me empurra para sair do lugar, que só pode ser para frente, então vejo: estou embaixo, na escala do infinito, do desconhecido. Se não tivesse isso, visto, teria mais medo. Parei de temer, mas só ao medo de ter medo.
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Juiz de Fora, 26 de Julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

FATOS SUTIS DA NATUREZA ANIMAL


Apelo da galinha.

Foi minha mãe quem me contou.
O episódio aconteceu com meu avô.
Tenho poucas lembranças dele porque quando ele faleceu, eu era muito pequeno.
Lembro-me daquele homem esbelta, cabelos e barba branca.
Usava uma bengala para se apoiar ao andar, pois, além de ser costume, já estava curvado pela idade.
A maioria das coisas que sei sobre ele, foram-me contadas.
Lembro-me apenas do carinho e zelo que todos tínhamos por aquele velho homem, tido como bom e sábio naquelas paragens, naquele longínquo grotão de Minas.
Disseram-me que ele apontava a bengala para as estrelas e dizia coisas do futuro do mundo. Não por ser culto, muito letrado, mas por saber observar as mudanças que ocorriam naquele lugarejo, chamado Córrego São Pedro.
E, disse minha mãe: num dia de domingo, na expectativa de preparar o macarrão do almoço, alguém teria de pegar um frango ou franga para ir à panela.
A massa do macarrão era feita em casa, assim como a massa de tomate.
Então, aquele era um dia de macarrão com frango.
Resolveram por alcançar uma galinha. Uma determinada galinha, mais farta de carne.
As aves eram criadas soltas, em nosso terreiro, que volteava a casa. À noite iam para o galinheiro, sozinhas, e a porta do galinheiro, dormia fechada, por causa dos predadores noturnos. Conviviam conosco, despreocupadas, como se fossem parte da família. Comum era mirar mais seus ovos, do que suas carnes.
Para cumprir a proposta, puseram-se ao já esperado cerco à galinha, mas a dita, escolhida, se esquivava mais do que menino brincando de pega-pega.
Já esbaforida, exausta, corre para se esconder na cozinha da casa.
Cercada, sem trégua, busca sua última alternativa: num ligeiro e curto vôo, pousa no peito de meu avô!
De asas abertas, fica! Foi como abraçá-lo, em pedido de socorro. Parece que ela sabia que ali tinha amor para defendê-la.
Bico aberto, coração disparado de medo e cansaço.
Atônitos, perplexos, meus tios pararam.
Os olhares dos que estavam na cozinha se dirigiram a meu avô, esperando sua reação, pois, mais do que a galinha, conheciam seu espírito de piedade.
E, a pedido dele, a galinha sobreviveu.
E morreu de velha.
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Juiz de Fora, 26 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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domingo, 25 de julho de 2010

PARADOXO DA LOUCURA


Sabedoria de um doido.
Certo dia, estava a visitar um conhecido numa clínica psiquiátrica.
Lá, conheci outro paciente, bancário.
Nos hospitais, há pessoas com transtornos mentais diversos.
Há depressivos, alcoólatras, dependente de drogas em geral, transtornos mentais de toda ordem.
Mania de grandeza é uma delas.
Visitando pessoas no hospital psiquiátrico, acabei aprendendo muita coisa.
É muito comum encontrar supostos “generais”, ou pessoas que se julgam de “alto gabarito”, nessas clínicas.
Então, fazemos continência para uns, anotamos receitas para resolver problemas, etc.
Muitos dos pacientes querem coisas.
Maços de cigarros, dinheiro, reservas na cantina e etc. A princípio atendia alguns pedidos.
Com o passar do tempo, depois de várias vezes, observei que algumas delas faziam negócios internos com o que ganhavam, ou então eram enganadas pelos próprios colegas, porque, para alguns, o que doávamos, sumiam.
Então, naquele dia, naquela visita, fiquei conversando também com o paciente bancário.
Era muito rápido no raciocínio e tinha resposta para tudo. Quase me deixou “doido”. Era jovem, um pouco mais que eu. Seus neurônios eram elétricos demais.
Depois de conversarmos bastante, como pessoas não doidas, ele começou analisar minha personalidade, dizendo que eu era um tipo que seguia padrões hierárquicos. Em outras palavras: eu era pessoa bem empacotada no sistema social, obediente a todas as regras, bem comportado. Disse que eu via as pessoas sob rótulos, isto é, a leitura que eu fazia delas era de acordo com a imagem que elas se apresentavam.
Assim, se alguém estava de jaleco, devia ser um médico; se estava de paletó e gravata deveria ser um advogado; se estava com as mãos sujas de terra e uma ferramenta na mão, seria um jardineiro.
O que ele quis dizer é que eu as qualificava e colocava em ordem hierárquica. Para ele, entretanto, as pessoas são simplesmente pessoas e por trás das aparências o que existe é tão somente um ser humano, igual a todo ser humano.
Jovem gênio e louco, doido e tão sábio!
Se ele estava vivendo uma paranóia de idéias, isso não vem ao caso, o importante é que ele me atingira com reflexões significativas sobre a vida.
Jovem, ainda, eu pouco sabia sobre essas coisas e admirava aquele outro mais jovem do que eu, tão sábio.
Cheguei a ficar envergonhado de mim mesmo e aquele assunto passou a incorporar a minha vida, a fazer de mim um ser com mais o que pensar sobre o mundo, fato que sempre me interessou. Dediquei-me em pensar um pouco mais sobre sistemas sociais, até descobrir, ao longo dos anos, que somos, na maioria das vezes, escravos deles. E muitas vezes vivemos em círculos de idéias, prisioneiros de nós mesmos, semelhante à história de Machado de Assis, no seu livro, O Alienista. Ou então em alguns momentos caímos em “Armadilhas Conceituais”, que conforme a Filosofia Clínica, grosso modo falando, é a mesma maneira de viver em círculo, incapaz de enxergar as realidades externas de nosso mundo interior.
Talvez, o ordenamento das coisas devesse se inverter. Às vezes não sei se os loucos estão dentro ou fora dos muros.

Juiz de Fora, 04 de setembro de 2004.
Evaldo de Paula Moreira
Conto Paradoxos da Loucura
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O QUE É ISTO?


O que é isto?
É o que a gente gostar de ver.
Se, gosta de cores, veja-as.
Pode também, ver flores.
Pode também, ver água.
Pode também, ver peixe.
Há quem viu pirulito.
Há quem viu carro de fórmula UM.
Há quem viu avião.
É teste?
Não é teste.
Então, o que é?
Não precisa entender.
Só precisa gostar.
Se, não gostar, não se preocupe.
Gosto é individual mesmo.
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Juiz de Fora, 19 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema virtual.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

NATUREZA EM PERIGO


Equilíbrio da natureza.
Todos os seres vivos buscam refúgio contra predadores e desenvolvem mecanismos de defesa. Ninguém pára no tempo. Todos têm que lutar para defender seu quinhão de vida.
Preste bem atenção em cada ser e descubra por si mesmo.
Até no deserto tem vida.
Tem cobra, tem escorpião, tem pequenos lagartos. Todos eles sabem sobreviver nessa área inóspita.
Os cactos desenvolvem espinhos para defesa e raízes profundas ou ramificadas na superfície do solo para acúmulo de água.
O camaleão muda de cores para se esconder de predadores.
O gambá?... Cuidado com o cheiro dele. Não chegue perto.
O boi tem chifres.
A borboleta desenvolve desenhos nas asas semelhantes a olhos. Assim ela parece maior do que é para assustar seus predadores.
E o homem, nessa condição, é o menos inteligente de todos porque cria métodos de sobrevivência, defesa e de destruição, além de seus limites de necessidades.
Os outros animais não destroem o planeta, porque há um equilíbrio de antídotos, mas o homem passou o sinal vermelho.
Paremos nosso “trem”.
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Juiz de Fora, 21 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Reflexão
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sábado, 17 de julho de 2010

ADEUS...


Nó na garganta.

Em qualquer lugar do mundo, a garganta humana denuncia quando uma pessoa está triste.
Se tirarmos um doce de uma criança, num instante veremos o olhar de indignação, seguidos de soluços e lágrimas nos olhos.
É uma maneira de demonstrar a violência sofrida.
Seja criança ou adulto.
Vi um senhor ficar triste, na roça, só porque alguém insinuou que o bode dele estava ficando velho. Sentiu-se subestimado, e logo se esboçou o nó.
Sofremos, sempre que nos tiram alguma coisa.
Meus pais se mudaram da roça quando eu era criança. Foi como se tirassem a roça de mim.
Lembro-me da viagem.
Saímos de lá, transportados por um carro de bois, até a estação de trem mais próxima.
Sem dúvida, minha garganta, por várias vezes, durante o trajeto, deu ensejo ao nó.
Na medida em que nos afastávamos das pessoas e das coisas queridas, íamos dando Adeus, acenando com as mãos, como se fosse uma despedida para sempre.
Que sensação mais estranha.
Tudo o que conhecera até aquela época era a roça. Eram as matas, os córregos, os riachos, as aves, os pássaros, os bois, as vacas, cabritos, cães... , as pessoas que amávamos.
Tirando o sol, a lua, as estrelas, tudo seria diferente dali para frente.
Era o Adeus para seguir um caminho desconhecido e ver algo diferente.
Só conhecia as coisas das cidades pelas gravuras dos livros.
Conheceria outro mundo, de maneira chocante, por causa da mudança radical, mas cheia de novas perspectivas, dado o jeito receptivo na grande cidade de São Paulo.
Mas, os “nós” me apareceram várias vezes durante muitos anos, porque é difícil vencer a saudade.

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Juiz de Fora, 14 de Setembro de 2004.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

POR FAVOR, ACENDE A LUZ...


Ei!
Alguém aí?
Tá escuro aqui.
Ninguém ouve...
Por que será, hem?
Sei que tem gente aqui.
Que voz é essa, falando baixinho?
“Fique quieto, não fala alto não.”
Quem é, hem?
“Apaga essa luz, aqui é a treva, saia daqui.”
Mas, por quê? A claridade não é melhor?
“É para você, mas para quem vive só na treva, não.”
Como, assim?
“Eles não a conhecem”.
“Estão atrelados a controles coletivos”.
“Há os que lucram com o aumento do cardume”.
“É por isso que a educação é pouca por aqui”.
“Usam drogas com liberdade, é mais fácil fazer tudo escondido...”
Ora, que absurdo! Mas por que ninguém faz nada?
“Faz, sim, você é que não vê”.
“O problema é que é difícil achar o caminho certo”.
“Alguns acham que é preciso matar, outros que é prender”.
“Há os missionários que ficam pregando religião o dia todo”.
“Até agora, nada resolveu. Quase ninguém liga, pode até matar”.
Mas, por quê?
“É preciso saber provocar o desejo. Desejo de Ser, Desejo de Ter”.
Mas..., não é fácil avisar isso prá todo mundo?
“É? Faz, então! “Bobo!”.
“Nunca leu sobre o Mito da Caverna, de Platão”?
“E sobre a obra do Schopenhauer: O Mundo como Vontade e Representação?”
Li só um pouco. Estou tentando entender isso melhor.
“Não adianta coçar a cabeça!”.
Mas, eu queria ajudar...
“Então, corre. Publica no seu Blog”.
“Quem sabe alguém lê e resolve te ajudar? Tem pessoas fazendo isso, junte-se a elas”...
“Isso é uma luta de poderes”. “Luz x Treva”.
“E, todo mundo pode desenvolver as duas coisas dentro de si”.
“É preciso políticas públicas, e melhor visão da iniciativa privada, criando espaços para a população desenvolver o lado positivo da vida: as Artes, o Esporte, são exemplos. É preciso fixar minhoca na ponta do anzol para atrair o peixe. Se a luz faz isso, pouco, a treva está lutando para ocupar os espaços. Ganha a parte que trabalhar mais. Não pode parar. A população está sempre aumentando. É uma luta de balaio contra balaio. Quem sabe mais, pega mais peixe. Um não vai ajudar o outro”.
“Saia logo, daqui”!
“Esse não é o seu balaio”.
“Está me atrapalhando”.


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Juiz de Fora, 15 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Apelo.
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terça-feira, 13 de julho de 2010

O NOVO TREM


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Trem-bala
Sonhos são sonhos, que mudam ou não com o tempo.
Realizam-se, ou não.
O melhor deles é aquele que acontece quando a gente consegue viver para ver e ainda acredita que ele é bom.
Se o mundo é real ou não é real, se podia ser ou não ser diferente, o fato é que há mais de quarenta anos, ainda jovem, cheio de expectativas e de sonhos, morava e trabalhava como office-boy em São Paulo e naquela época já era assunto cotidiano os velozes trens da Europa e do Japão. Parecia algo muito distante para acontecer no Brasil. Mas o desejo estava guardado para um dia, junto com outros, mesmo que distantes, pudessem ser realizados.
Importantes, como ainda são, eram os japoneses, os europeus e os americanos do norte.
“Trem bão” era coisa só para eles. Para nós era apenas desejo.
Agora, finalmente, teremos um “trem bala”. Um dia ainda fabricaremos os nossos próprios trens, e quem sabe, o Brasil entrará nos trilhos, “correndo a todo vapor”, sem pobreza e sem tristeza.
Ainda espero por experimentar esse trem.
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Juiz de Fora, 13 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Esperança.
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OLHANDO PEIXE NO CÓRREGO

sexta-feira, 9 de julho de 2010

MINA D'ÁGUA



Não queria que a mina acabasse.
Ela secou com o tempo.
Tudo em volta secou.
A casa que ficava perto dela envelheceu e morreu de solidão, pois seus moradores antigos também morreram e os mais novos foram tocar suas vidas em outras paragens. As demais casas da redondeza também tinham suas minas e da mesma forma padeceram. Algumas mais relutantes, teimosas em sobreviver foram derrubadas juntamente com as árvores que restaram. Deram lugar a uma nova mata chamada canavial.
O tempo, indiferente, deu passagem para o cenário que ali existiu. Deixou a vida passar, olhando agora com a mesma paciência de sempre o mato rasteiro e seco, pois o canavial também não resistiu.
E de longe daquele lugar, num outro lugar chamado cidade, debruço meu pensamento, a ouvir as vozes do passado. São os pássaros que cantaram, são os cães que latiram, os bois que mugiram, e as gentes que murmuraram. São os porões da minha alma que sente os perfumes, lembra das flores e dos amores, cujo tempo não se incomoda com o que faço com eles.
Delirante passado, guardado no tempo, que viu a mina d’água, assim como as casas, as gentes, as canas de açúcar e protegerá minha memória que um dia irá comigo, não para outra cidade, mas possivelmente para outras lembranças.
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Juiz de Fora, 09 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de amor
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domingo, 4 de julho de 2010

BRINQUEDO


Brinquedo

Não dá para esquecer os brinquedos de quando éramos crianças.
Mesmo na roça não faltava criatividade para inventar. Eram diversas as brincadeiras.
Fazíamos os nossos próprios brinquedos.
Era comum fazermos os brinquedos regionais, entre eles, carrinhos- de- boi. Fazíamos até de casca de abóbora, que cortávamos em círculos para fazer as rodas e também outros pedaços para o assoalho do carro.
Cortávamos bambu e com pequenos pedaços podíamos fazer flauta, com as partes mais finas e com as outras partes era possível fazer cavaquinho. Era só lascar umas tiras estreitas num pedaço de bambu verde e colocar um pequeno calço debaixo delas para imitar as cordas.
Mas, um dos brinquedos que mais me marcou e deixou saudade foi um que parece um pião grande. Só que era feito de lata e colorido. Tinha um eixo central que apertávamos e fazia o brinquedo rodar igual a um pião. Rodava, rodava e emitia um som mais intenso do que o do pião, que também emite som.
Aquele brinquedo que ganhei e foi fabricado na cidade, chamava-se “piorra”.
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Juiz de Fora, 03 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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