SEGUIDORES DE CAMINHADA

segunda-feira, 31 de maio de 2010

NASCER



Nasceu.
Os olhos se abriram para o mundo.
Outros olhos se fecharam para o mesmo mundo.
Alguns viram o rio.
Outros viram também peixes no rio.
Pedras também foram vistas por outros olhos.
Cada olhar conta uma história.
Cada história surpreende os ouvidos de quem ouve.
Todo ouvinte também olhou o mundo.
Há quem olhou, mas não viu.
Alguém não olhou, mas ouviu e sentiu.
Ouviu o som da cachoeira.
Sentiu o frescor da queda d’água.
Há quem olhou o rio e viu suas margens.
Onde olhou ainda tem árvores.
Ainda tem aves e pássaros.
Ainda tem vida.
Ainda tem nuvem no céu.
Há quem viu também, fumaça.
Há quem mais vê fumaça.
Alguém já viu um boi na TV.
Quem cortou uma árvore não sentiu sua falta.
Quem caçou um animal também não.
Também não sentiu quem desprezou seu irmão.
Mas é tudo porque olhou e não viu.
Se, viu, não sentiu.
Se, sentiu, não pensou.
Se não pensou, não viveu.

Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor
Juiz de Fora, o6 de julho de 2008

sábado, 29 de maio de 2010

TAMANDUÁ



Olha o Tamanduá

Houve tempo em que olhava algumas paisagens de Minas e achava muito feio aqueles morros cheios de cupinzeiros.
Imaginava a dificuldade para o agricultor arar aquela terra e executar plantio. Achava feio, mesmo, o cupim.
Achava feio tanto morro, estradas cheias de curvas, num sobe e desce danado.
Com o tempo a ficha caiu.
E morro, não é mais morro, é montanha.
E que belas montanhas.
Como é importante saber olhar.
Descobri que os pastos não são apenas pastos.
É o cerrado brasileiro, escondendo verdadeiro ecossistema.
O cupinzeiro, que parecia um monte de barro seco, habitado pelas malvadas formigas, ou pelos cupins passou a ter outro sentido: o de sustentarem-se e o de servirem de sustento a diversos animais e pássaros.
É muito difícil ver os animais, como o tamanduá, os tatus, e outros, pois eles se escondem da depredação do homem.
Então não podemos vê-los facilmente.
O cerrado possui importante biodiversidade na sustentação da natureza, e é tão importante quanto as florestas.
É cheio de beleza, contendo plantas menores, imensa variedade de flores, insetos e animais de pequeno e médio porte, como o tamanduá, o tatu, o lobo guará.
Hoje fico deprimido quando passo em uma região com queimada provocada pelo homem. Em tempos atuais, com tanta informação, ainda existem pessoas sem a consciência de como é importante saber preservar a natureza. Pássaros, borboletas, flores lindas e tudo mais. E não é apenas pela pura e simples beleza, mas também pela importância da preservação do planeta.
Leia um pouco sobre o cerrado, caso ainda não seja um admirador. A internet fornece diversos comentários com fotos lindas. Aproveite.

Juiz de Fora, 28 de maio de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Crônicas com Amor.

segunda-feira, 24 de maio de 2010



A luz do trem

A luz sempre encanta a vida.
Qualquer vida.
A mariposa e vários insetos adoram rodear o lampião aceso.
O ser humano cria cores incríveis, fazendo jogos de luzes que enchem nossos olhos de alegria.
Fogos de artifício tornam a noite maravilhosa nos dias de festas.
A luz fascina.
As estrelas formam abóboda celeste tornando as noites claras e lindas.
Não menos fascinante é o sol, em qualquer hora do dia.
Já tive a felicidade de ver o por do sol em Recife. É uma maravilha. Também em Porto Alegre, à beira do rio Guaíba vê-se um por do sol dos mais encantadores. A margem do rio fica repleta de admiradores, encantados com a natureza.
Você já viu um vaga-lume piscar sua luz? Imagine milhares deles, alternando seu pisca-pisca à noite? Que coisa linda!
A luz encanta tanto, que veja só este episódio: meu pai chegou em casa, o tempo já havia escurecido e em determinado momento começou a contar que vinha pelo caminho afora, quando deparou, na linha do trem, com uma pessoa ajoelhada. Aquela pessoa era um trabalhador da roça, de meia idade, tinha cabelos um pouco grisalhos e àquela hora já havia tomado suas cachaças numa das vendas da redondeza.
Era comum utilizar um trecho da linha do trem para encurtar caminho.
Meu pai achegou-se daquele conhecido e perguntou: o que você está fazendo aí, ajoelhado, na linha do trem? E ele respondeu: estou rezando para Nossa Senhora Aparecida. Olha: e apontou para o clarão de luz, que iluminava o morro, dizendo que era a luz da santa. Meu pai não ficou muito surpreso, porque o conhecia e sabia que às vezes ele vacilava um pouco quando bebia.
No campo as pessoas são muito devotas.
Referendam as imagens com muita fé nos santos. A crença é muito forte.
Naquele momento, entretanto, tratava-se de uma alucinação que o conhecido estava passando.
Meu pai pediu a ele que saísse da linha, porque aquela luz, naquele momento, não era a da santa, e sim do trem que vinha logo após a curva.

Juiz de Fora, 30 de agosto de 2004.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

quinta-feira, 20 de maio de 2010



Trem doido

Em muitos lugares de Minas Gerais, quando se quer dizer que uma coisa é boa, diz-se que é “trem bão”, ou: “é um trem doido de bão”.
Quando a coisa é ruim, diz-se: “ô trem, sô!
O trem também pode ser somente doido.
Basta que a coisa não esteja normal para ser trem doido.
Há muitas histórias sobre trem e certamente todo mundo sabe d’alguma.
No Paraná há uma estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá, passando por montanhas lindas. É um grande cartão postal do Estado. O trem é bonito de doido. Também na serra gaucha passa um belo trem, e também em Tiradentes e São Lourenço, aqui em Minas. Hoje são trens de turismo.
Onde nasci, nas roças de Minas, também passava trem.
A linha do trem fazia curvas suaves nas terras onde viveram os meus avós maternos, em Diamante de Ubá, município de Ubá, e também onde viveram meus avós paternos, no lugar chamado Parada Moreira, que também fica no município de Ubá.
Quando tinha perto de oito anos de idade, meus pais se mudaram para a cidade de São Paulo, no bairro Ipiranga, onde também passa trem.
Já andei muito sobre os trilhos daquela linha, brincando com os colegas, na década de 60, num lugar onde era várzea, com muitos campos de futebol. Também fui de trem, daquele bairro, até a cidade de Santos, numa viagem maravilhosa, pois o trem descia e subia a linda serra litorânea.
Via-se o mar lá do alto da montanha.
Foi uma coisa boa de doida.
Os trens sempre me foram familiares.
Pouco tempo depois de casado fui morar na cidade de São Gonçalo, no grande Rio, onde também passa trem.
Na cidade do Rio, para ir ao Morro do Cristo, há um trecho maravilhoso para ser feito de trem.
Atualmente moro com minha família na cidade de Juiz de Fora, onde também passa trem.
Há muitos episódios que poderia contar a respeito dos trens, ao longo de minha vida. Poderia falar da “Maria Fumaça”, cuja máquina é movida à lenha, do trem elétrico, do trem movido a óleo diesel, até dos bondinhos elétricos de São Paulo.
Lá em Diamante de Ubá, era comum esperar o trem passar, achegando-se à porta da cozinha, ou nas janelas dos quartos, na casa de meus avôs maternos.
De longe se ouvia o apito da Maria Fumaça.
Apitos curtos e apitos longos. Piuí!...piuí! Ou então, piuííííuuuuu...
Era como se estivesse avisando para sair da frente, pois o trem vinha com todo o seu peso e imponência. Deixava um rastro longo de fumaça pelos ares e o barulho que fazia, levava-nos a imitá-lo, como se ele dissesse repetidamente a frase: “café com pão, manteiga não, café com pão, manteiga não”...
Era o esforço do vapor d’água para movimentar a locomotiva.
Num certo dia ficamos curiosos, eu e as outras crianças que estavam na casa de minha avó, ao ouvir um apito fora do horário habitual.
Olhar o trem passar à distância era sempre uma alegria.
Naquele dia o trem era diferente, pois havia uma máquina rebocando outra, e essa outra estava toda “lambuzada” de barro.
Com certeza era um resgate de algum acidente ferroviário.
O fato é que em nossas cabeças de crianças, aquela cena não estava certa, então gritamos para que todos corressem a fim de ver a máquina, pois aquela era uma “máquina louca”.
Ela fugia dos padrões.
Não podia estar tão suja.
Era uma máquina puxando outra, muito suja.
Não havia vagão de passageiros, então só podia ser um trem puxando um “trem doido”, uma verdadeira “máquina louca”.
O trem ficou doido. Saiu do trilho e caiu no barro. Endoideceu!

Juiz de Fora, 08 de agosto de 2004
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

domingo, 16 de maio de 2010





Régua e compasso.

Num papel em branco fiz um círculo e desenhei uma mesa.
Risquei um retângulo e desenhei um navio; dois círculos, uma bicicleta.
Enfim, risquei algo que o homem pode compreender e fazer.
Então olhei para o céu e vi a Lua redonda.
Vi infinitas estrelas formando diversas figuras, retas e curvas. E me lembrei das formas espiraladas já estudadas, do imenso universo.
Olhei para o chão e vi uma minúscula formiga e me veio à mente que existe medida além do átomo e da Lua.
Meditando um pouco mais me lembrei dos físicos e dos matemáticos que podem tudo desenhar e medir, mas quanto imensos ou minúsculos devem ser a régua e o compasso utilizados na engenharia universal...

Juiz de Fora, 16 de maio de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Meditação

segunda-feira, 10 de maio de 2010



Futebol: paixão nacional
Já ouvi no rádio antigo, o narrador dizer:
“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”...
Também já ouvi: “Vai começar o maior espetáculo da Terra”...
Os ouvidos dos que ouviram e o olhar de quem já viu, sentiram pulsar o coração, com emoção, na mesma proporção.
No estádio não tinha palavrão, a não ser chamar o “juiz” de ladrão.
Prá tomar a bola do outro, não valia escorregar no chão.
Olé prá cá, olé prá lá, que saudade me dá ao lembrar-me do seu Mané que sabia melhor do que ninguém ao adversário enganar.
Enganar sim, mas, ali, onde o jogo era limpo, onde a alegria era rir, mas não do outro e sim da surpresa da jogada.
Não adianta filosofar, não adianta reprovar.
Quem tem olhos e consegue ver, quem tem ouvidos e consegue ouvir, duvido que o coração, a essa emoção, não vai sentir.
Seja com seu Mané, seja com seu Pelé, seja com Ronaldinho, ou outro craque qualquer, o mundo vai sempre querer ver a bola, no gramado, rolar.
Vale lembrar que o filósofo Schopenhauer já falou que o mundo é uma representação nossa e já houve quem, do Brasil para o mundo cantou assim: “A taça do mundo é nossa”...

Juiz de Fora, 10 de maio de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor

quinta-feira, 6 de maio de 2010




Gente.
Gente é gente como a gente
quando a gente olha
com o olhar de gente.

Juiz de Fora, 06 de maio de 2010
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor

quarta-feira, 5 de maio de 2010


É difícil ser célula.

Queremos algo ser.
Não apenas ser por ser.
Difícil é compreender que acreditamos ser mais do que realmente somos e o quanto é importante a pequena e organizada célula.

Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor