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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Vida no campo, na cidade


                                         O bem te vi já se acostumou em meu terraço.




Vida na cidade, no campo. Exercícios físicos.

O gato espicha as pernas, o pescoço, estende o rabo, boceja, quando acorda de uma soneca.
É comum os animais fazerem seus alongamentos. O procedimento é automático para preservar a saúde, a forma física. Não é sinônimo de preguiça.
As aves também agem assim quando tiram um cochilo. Apóiam-se sobre uma das pernas enquanto estica a outra. Ao mesmo tempo abrem uma das asas enquanto encolhe a outra.  Esticam o pescoço e abrem o bico.
Fazem isso regularmente sem que ninguém os ensine, a não ser que sejam eles mesmos, entre si, entre pais e filhos, incorporando rotinas constantes de zelo pelo corpo. Sei que adquirem os hábitos através da genética, mas é preciso lembrar os processos de adaptação e transformação das espécies conforme demonstrou Charles Darwin. Isso exige novos aprendizados.
Tomam banho quando se sentem sujos.
O gato não gosta de lavar-se em água, mas lambem-se o tempo todo para manter a saúde dos pelos.
Alguns animais, os cavalos, por exemplo, rolam na poeira e depois sacodem o corpo. É um método de limpeza do pelo. Gostam de banhos em águas também. Adoram ser lavados e escovados.
Bem, isso eu via mais comumente no campo, ao vivo, quando era menino e morava lá.
O homem sentava em cócoras no chão em conversas triviais, nos momentos de descontração.
Não era por preguiça, fraqueza ou indolência como já ouvi dizer na cidade. Ao contrário, é saúde, pois para fazer isso é preciso ter musculatura saudável. Os orientais sentam-se no chão das casas com as pernas cruzadas. Inclusive para meditação. Vimos muito isso nos filmes.
Hoje em dia, nas cidades, a medicina faz recomendações freqüentes sobre a necessidade de fazermos caminhadas. Musculação, natação. É preciso malhar, nas academias de ginásticas. A vida sedentária ou as rotinas podem ser nocivas ao corpo.
Já precisei da medicina moderna algumas vezes. Não lá no campo, pois lá usávamos a medicina caseira, feita de plantas comuns naquela época.
No campo são naturais as caminhadas e os trabalhos movimentam o corpo todo. O próprio viver diário já se constituía em ginástica.
Nasci de parto normal, feito por parteira da roça mesmo.
Não estou chorando o leite derramado, porque gosto igualmente da cidade, onde tive e tenho muitas alegrias. Mas neste quesito de ginásticas é bom lembrar que subir num pé de goiaba, ou em um pé de manga, andar aqui e ali era uma rotina agradável e saudável.
A tristeza fica por conta de cada um, porque ela existirá em muitos de nós, independente de onde estejamos.
Mantenho alguns alimentos como fubá, banana e mamão no pequeno terraço de meu apartamento para alimentar alguns pássaros que posam por aqui. É uma alegria vê-los e ouvir seus cantos. Muitos pássaros e aves estão se adaptando a viver na cidade também. A ginástica deles é a mesma tanto na cidade quanto no campo. E eficiente. Há muito tempo. Não é justo deixar de frisar que a urbanização desordenada e o consumo exacerbado estão levando à extinção a muitos deles, lamentavelmente.


Juiz de fora, 02 de agosto de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
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