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sexta-feira, 6 de maio de 2011

O amor é assim. As mães sabem melhor dizer.


O amor é assim. As mães sabem melhor dizer.

Um dia andava pelas ruas do centro de um bairro movimentado, de comércio e de gente.
Faz muitos anos, não me lembro qual cidade.
Há coisas que nos marcam mais do que outras. Nosso cérebro é seletivo nas lembranças, nos arquivos da memória.
Nada poderia ficar mais marcado do que aquele lapso de tempo. Aquela fração de segundo.
Leitura da vida, fora dos livros. Que se transforma em livro. Em teses de doutorado.
Tal foi o gesto sublime de uma jovem senhora que carregava em suaves braços seu neném. Filho de tenra idade, tutelado pelo amor materno. Incondicional amor, por ser necessário aos indefesos.
A jovem mãe tropeçara ao atravessar a rua movimentada. A distância que me encontrava só dava conta de fazer o que fiz naquela fração de segundo do tombo que ela levava: clamar intimamente. Meu Deus!
Incrível: cai a mãe de cotovelos no asfalto, protegendo seu filho, sem pensar em si mesma, porque não dava tempo.
Não fosse pelo filho, o natural seria largar o que estivesse nos braços e amparar-se com as mãos para defender- se da queda.
Sabe aqueles momentos onde um goleiro bem treinado defende um pênalti, abraçando a bola, caindo de cotovelos na grama e salvando a Pátria?
Pois é. Aquela mãe caiu de cotovelos no chão e abraçou o filhinho como se fosse uma experiente defensora de pênalti. E o chão não era de grama. Era de asfalto. E seus braços não tinham cotoveleiras como os goleiros têm. Sem apito, sem aviso.
É uma página virada na vida daquele pequeno ser que não tinha idade suficiente para registrar na memória o ato heróico da mãe e lembrá-lo no futuro de sua vida.
E assim são as mães, comprometidas com a vida, que guardam suas páginas, que não serão lidas, mas que por elas serão sentidas, sob a guarda de sublime amor.

Juiz de Fora, dia das mães de 2011.
Evaldo de Paula Moreira