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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Visita ao passado - conto


Visita ao passado.

Na visita que fiz, junto com um tio, a um asilo, neste final de semana ensolarado, em regiões que outrora foram palco de minhas andanças, vimos, naquela casa humanitária, antigos conhecidos, cujas idades, algumas delas, alcançam os cem anos.
Alguns conservam a lucidez do passado, cujos corações palpitaram em alegria, vista em seus olhos e lábios de sorriso, ao lembrarmos naquela momentânea convivência, dos nomes das pessoas da época de minha infância.
O tempo se encarregou de trazê-las até nossos dias, superando as marcas, os golpes sofridos, delineados sem revolta em suas faces. Viram o mesmo palco que eu vi e vivi durante pequeno espaço de tempo infantil. Onde meu tio, que estava comigo, de oitenta e dois anos também andou.
Foram atores naquele palco, de estórias de sanfonas pelas estradas, de danças nos terreiros.
De porretes, de chapéus de palha. De enxadas para carpir a terra. De mãos que acenderam lenha no fogão. Estão nas minhas lembranças... Não tão distantes. Foi logo ali. Um tiro de espingarda no tempo, por volta de cinqüenta e poucos anos passados de minha vida. Para eles, entretanto, mais tempo de vida, à qual seus olhos presenciaram outras nuvens, outras abençoadas chuvas. São corações que guardam consigo outras saudades, entremeadas a diversos tipos de lembranças, guardadas em corações fortes, também amados pelo tempo, que os amparam na vontade de viver.

Juiz de Fora, 21 de fevereiro de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

Desenho livre -abstrato - alma