SEGUIDORES DE CAMINHADA

domingo, 28 de agosto de 2011

Solidariedade - Reflexões




Solidariedade

A vida se renova em ninhos de carinho.

Enfrentamos os ventos, as chuvas, o estalar dos galhos que derrubam os ninhos.

Somos iguais aos passarinhos, viventes que superam as quedas e constroem outros ninhos.

Viver é buscar felicidade e compartilhar alegrias.

A alma se cala, fica muda, ou se revolta na calada das surpresas que às vezes abafam a alegria.

Nessas horas precisamos da solidariedade uns dos outros porque a vida há de se renovar em amor, no abraço da esperança.

Não sabemos compreender tudo, apesar dos esforços humanos, mas algo nos diz intuitivamente que precisamos seguir caminhos.

Na luta de compreender as dificuldades, choramos juntos. 

Após os percalços, na solidariedade dos que nos abraçam, esperamos o recompor de novas esperanças.

Juiz de Fora, 28 de agosto de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Solidariedade - Reflexões


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os Portais do Tempo - Saudades e Alegrias - Conto



Portais de saudades e alegrias

Gosto de lembrar e escrever as coisas da minha infância.
Ela está encerrada no tempo, mas há um portal aberto para eu entrar e sair quando desejar. É como os contos de fadas escritos e que também os vimos nos cinemas. Daqueles em que as crianças passam aperto, mas recuperam a alegria.
Vou atravessar esse portal e me materializar em uma das estradas de terra dos meus cinco ou seis anos de idade.
Não me lembro qual foi o motivo de estar dentro de um carro de bois certo dia. Lembro-me apenas que um dos meus tios estava pronto, de guiada na mão, orientando a junta de bois aparelhada sob a canga, fazendo a volta no terreiro, rumando em direção à estrada.
O carro de bois encontrava-se vazio e, como eu estava por perto, meu tio convidou-me a dar um passeio nele. Pegou-me no colo ajudando-me a subir, pois de pronto, o convite foi uma alegria.
Para meu tio era um trabalho que ele estava destinado a fazer. Para mim era um passeio, pois criança passeia enquanto o adulto trabalha.
Garupa de bicicleta é muito bom. Também a de um cavalo ou uma carona da charrete. A de carro de bois era menos comum para crianças naquelas roças.
Exigia mais cuidado devido a sua estrutura feita para carregar muito peso. Suas rodas são grandes e pesadas e os animais que os puxam, os bois, também são.

Fomos, então, ao destino.
Fiquei em pé, segurando na beirada da esteira que circundava o carro, olhando o movimentar dele, a paisagem e os gestos do meu tio dando ordens aos bois. Ouvia também o gemido do eixo que unia as grandes rodas. Ele era premido em cunhas para produzir um alto som que anunciava a passagem do carro de bois pelas estradas.
Não era longe o destino do passeio. Íamos devagar. Carros de bois não correm.
Entramos em uma estradinha e logo depois atingimos a principal. Ainda estávamos perto de casa. Dava para avistá-la. O passeio seria um deleite de criança feliz.
Havia do lado esquerdo, naquele trecho da estrada de terra, um barranco não muito alto, onde passava uma estrada de trem de ferro sobre ele. Não disse a palavra “trem”, sozinha, porque em Minas, qualquer coisa pode-se chamar de trem, por isso, especifiquei: “trem de ferro”. Era uma via férrea. Do lado direito da estrada de terra ficava uma área em nível mais baixo, cerca de um metro. Nela existia um campo de futebol.
De repente, surgindo do nada, apareceu um vulto, que foi identificado mais tarde como sendo o de um menino da redondeza, que passava por ali, caminhando no alto, na via férrea.
Sabe-se lá, por quais cargas d’água, ele atirou um pequeno torrão de terra em direção à junta de bois. Estávamos todos distraídos: o carreiro, que era meu tio, os bois e eu.
Os bois se assustaram e puseram-se a correr, dada a surpresa que tiveram.
Interessante, não é? Boi também se assusta.
Desorientados, por causa do medo, saíram da estrada saltando para o campo, se afastando do possível perigo.  Aquele solavanco inesperado e ligeiro fez-me rolar pelo assoalho do carro e cair no campo que para minha sorte era gramado.
A queda rendeu-me alguns pequenos galos na cabeça e quase perdi o fôlego de tanto medo. Meu tio correu logo a acudir-me, deixando o carro de bois que em seguida parou.
Interessante, boi também tem noção de quando acaba o perigo.
Fui levado depressa para casa onde recebi as atenções da família, para me ajudar a passar o susto.
Esse, e outros episódios, poderiam ser guardados com tristeza, trauma, ou outra coisa qualquer. Entretanto, marcou-se em saudade.
Saudade daquela estrada, onde brinquei tantas vezes, até mesmo com o menino que jogou o torrão de terra nos bois. Saudade do meu tio, tão amigo, o qual já deixou nosso mundo. Saudade dos bois, assustados, porém, mansos e amigos trabalhadores, que também já se foram. Saudade do carro de bois que rodou tanto, carregando tantos e tantos pesos para sustentar nossas vidas.
Então, pergunto: o que é a tristeza para uma criança?
Creio que é apenas a falta de amor, que na minha infância nunca faltou.
Por isso, eu penso que, mesmo ficando adultos, podemos descobrir alguns portais de alegria para vermos nossa história de vida. Sempre haverá pedras pelos caminhos, na vida real ou virtual. Os meteoritos caem do céu sem aviso.  Eles são prescindíveis, mas acontecem. O imprescindível é o amor, que nos põe de volta, em pé, arrebatando-nos das tristezas, ou não nos deixam cair.
Assim sendo, a vida nos oferece inúmeros portais por onde podemos ver o que ficou no passado, preenchendo nossos espaços em saudades e alegrias.
O blog é um portal. Bonito portal que se integra nas alegrias de minha vida, aberto já há algum tempo onde posso rever o passado que eu construí nele, admirar o presente e sonhar com o futuro. Está sempre aberto para olhar através dele com alegria o que se passa à frente de meus olhos porque a vida é um presente.
Tudo o que acontece nela soma-se à contabilidade da experiência que faz o meu ser, cuja busca é transformá-la em sabedoria e retribuir ao mundo o melhor que dele posso aprender. O maior ingrediente é o amor que tem passaporte para qualquer lugar e tempo. Devemos cuidar bem dele e de preferência nos alegrarmos com os portais do tempo, com saudade do que se passou e alegria com o que se está construindo.

Juiz de fora, 23 de agosto de 2011
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minha crônica no blog Passeando

                                                                          http://passeandopelocotidiano.blogspot.com/
                             

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Série Pensamentos - Reflexões - Gosto





                                               
                                                                 O gosto

Procuramos as ondas mansas do mar, mas há quem procure as ondas agitadas.
Há quem dirige um trator, mas há quem goste do tanque de guerra.
Há quem cuida dos jardins, mas há quem prefere o piso de cimento, decorado.
Já faz muito tempo que não ouço mais a expressão: “gosto não se discute”.

Certo dia um professor disse em sala de aula:

               - Gosto se discute.
               - Gosto não se impõe.

Hoje não é dia do professor, então não sei por que me deu vontade de dizer isso.
Creio que é porque sempre quis ser professor, mas não sou.
Será o destino?
Será o talento?
Também já gostei muito de jogar futebol, as tais peladas que todo mundo fala. Até já vesti as camisas de times recreativos.
Sonhamos com tantas coisas...
Gosto é gosto. Discute-se, mas não se impõe.
Creio que o professor estava certo.

Juiz de fora, 18 de agosto de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Pensamentos – Reflexões - Gosto

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Teste de atenção


No desenho acima há a figura de um baú. Sabe onde está desenhada a chave dele?    
Fácil, essa, né?  É só para descontrair um pouco. Mas olha: já errei avaliação mais fácil, hoje.




 Resp.: acima de 
uma varetinha à direita.

domingo, 14 de agosto de 2011

DJ da Semana - Blog do Passeando




Hoje é dia dos pais e estou muito feliz.

Até o Passeando Pelo Cotidiano postou minha seleção de músicas no “DJ da Semana” do blog.

Desejo a todos um feliz dia dos pais também.

Aproveite para dar umas voltas por lá (tem variedade de assuntos)


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Reflexões - Caindo as fichas







Caindo as fichas


Ufa!
Que vida doida!
O que foi que houve meu caro?
São as fichas... As fichas...
O que é que tem isso?
Ora, bolas...
Você não vê?
Não acontece com você?
Cada dia cai uma, duas, três...
Não sei quantas fichas!
O que aconteceu?
Nada!
Nada! Nada! Nada!
Calma... Calma… Calma.
Amanha será outro dia, tudo nessa vida passa.
Por isso mesmo.
Amanhã serei outra pessoa.
O ruim é que não sei quantas fichas faltam.
Eia! Peraí!
Também não é assim...
A vida nos dá uma trégua, senão, ninguém agüenta mesmo.
A gente vai mudando aos poucos. Enfrentando as novas realidades e se adaptando.
Ah! Deixa prá lá! Você tem razão. Há uma lógica em tudo isso. A gente sofre um pouco, mas em contrapartida amadurece um pouco mais. O pior é ficar na rotina da consciência.
Todo mundo tem suas fichas. Uns mais, outros menos.
Enfim, "c'est la vie".



Juiz de Fora, 10 de agosto de 2011
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões – Caindo fichas


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Reflexões sobre a natureza


A realidade humana tem muito da realidade de todos os seres.

Por que a natureza se embeleza tanto?

As plantas, as flores, os animais...

Eles também querem ser amados?

Tudo parece ser uma dança.

As flores dançam para as flores e com outras flores se entrelaçam em seus polens e óvulos.

Os rios...

Eles também nascem e começam pequeninos, protegidos pela natureza.

Igualmente aos seres humanos vão crescendo e enfrentando as intempéries da vida.

Aproveitam os prazeres de receber a luz do Sol que ilumina toda a Terra, assim como a luz da Lua e as águas das chuvas.

Abrigam diversos seres enquanto alimentam a terra em suas margens.

Suas águas se abraçam quando um rio encontra outro, tal como se abraçam e se deleitam outros viventes em seus leitos.

Sofrem também com as secas.

É como todas as vidas, que possuem talentos, desenvolvendo a suavidade, a beleza, e também a força, o que for necessário para se manter, cada qual do seu modo.

Afinal, somos todos singulares.

A vida se processa em ferramentas de mel e de fel e nelas se equilibra, sustentando-se no bem e o no mal, no positivo e no negativo.

Todos os seres têm seus segredos na busca infrene de sobrevivência, desde o pequeno inseto, podemos dizer.

Estão além dos que podemos ver no microscópio e no telescópio...

Além do que podemos conceber.



Juiz de fora, 04 de agosto de 2011
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões - Os seres

Série Pensamentos - Reflexões -Os medos


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Vida no campo, na cidade


                                         O bem te vi já se acostumou em meu terraço.




Vida na cidade, no campo. Exercícios físicos.

O gato espicha as pernas, o pescoço, estende o rabo, boceja, quando acorda de uma soneca.
É comum os animais fazerem seus alongamentos. O procedimento é automático para preservar a saúde, a forma física. Não é sinônimo de preguiça.
As aves também agem assim quando tiram um cochilo. Apóiam-se sobre uma das pernas enquanto estica a outra. Ao mesmo tempo abrem uma das asas enquanto encolhe a outra.  Esticam o pescoço e abrem o bico.
Fazem isso regularmente sem que ninguém os ensine, a não ser que sejam eles mesmos, entre si, entre pais e filhos, incorporando rotinas constantes de zelo pelo corpo. Sei que adquirem os hábitos através da genética, mas é preciso lembrar os processos de adaptação e transformação das espécies conforme demonstrou Charles Darwin. Isso exige novos aprendizados.
Tomam banho quando se sentem sujos.
O gato não gosta de lavar-se em água, mas lambem-se o tempo todo para manter a saúde dos pelos.
Alguns animais, os cavalos, por exemplo, rolam na poeira e depois sacodem o corpo. É um método de limpeza do pelo. Gostam de banhos em águas também. Adoram ser lavados e escovados.
Bem, isso eu via mais comumente no campo, ao vivo, quando era menino e morava lá.
O homem sentava em cócoras no chão em conversas triviais, nos momentos de descontração.
Não era por preguiça, fraqueza ou indolência como já ouvi dizer na cidade. Ao contrário, é saúde, pois para fazer isso é preciso ter musculatura saudável. Os orientais sentam-se no chão das casas com as pernas cruzadas. Inclusive para meditação. Vimos muito isso nos filmes.
Hoje em dia, nas cidades, a medicina faz recomendações freqüentes sobre a necessidade de fazermos caminhadas. Musculação, natação. É preciso malhar, nas academias de ginásticas. A vida sedentária ou as rotinas podem ser nocivas ao corpo.
Já precisei da medicina moderna algumas vezes. Não lá no campo, pois lá usávamos a medicina caseira, feita de plantas comuns naquela época.
No campo são naturais as caminhadas e os trabalhos movimentam o corpo todo. O próprio viver diário já se constituía em ginástica.
Nasci de parto normal, feito por parteira da roça mesmo.
Não estou chorando o leite derramado, porque gosto igualmente da cidade, onde tive e tenho muitas alegrias. Mas neste quesito de ginásticas é bom lembrar que subir num pé de goiaba, ou em um pé de manga, andar aqui e ali era uma rotina agradável e saudável.
A tristeza fica por conta de cada um, porque ela existirá em muitos de nós, independente de onde estejamos.
Mantenho alguns alimentos como fubá, banana e mamão no pequeno terraço de meu apartamento para alimentar alguns pássaros que posam por aqui. É uma alegria vê-los e ouvir seus cantos. Muitos pássaros e aves estão se adaptando a viver na cidade também. A ginástica deles é a mesma tanto na cidade quanto no campo. E eficiente. Há muito tempo. Não é justo deixar de frisar que a urbanização desordenada e o consumo exacerbado estão levando à extinção a muitos deles, lamentavelmente.


Juiz de fora, 02 de agosto de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos – Reflexões – Animais –Aves - Exercícios