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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Explorando espaços.




Tudo era tão perto, no Córrego São Pedro.

Mas parecia tão longe.

Perto da casa de meus pais ficava a estrada de trem de ferro.
Aos fundos, a mina d’água.

De um lado ficava uma coberta, que chamávamos de pindoba, ou rancho, para estender as folhas de tabaco para secagem, depois de estaladas, e guardar outros apetrechos, próprios do campo.

Mais um pouco aos fundos, um brejo, onde se plantava o arroz e passava um pequeno córrego, o qual terminava num rio, perto, mas que parecia longe.

Até então, tudo tão perto.

Mas a exploração do terreno foi feita aos poucos, desde o treinar dos passos cambaleantes, quando tudo parecia tão longe.

E, lá, distante, porém, não tão distante, via-se a venda, na beirada da estrada.

Aos poucos, o longe parecia perto e então os passos treinados chegavam à casa de meus avós, a qual dava para vê-la, da casa de meus pais.

E era na casa deles, meus avós, que mais ficava.

Onde também morava nosso cão chamado Peri. Bonito, alegre, vistoso. Azulado, com manchas brancas no peito.

Ficar lá era muito, mas muito mais “bão”.

Tinha um grande terreiro, e também um paiol e uma coberta do carro de bois.

Em volta, um pequeno lago, que movimentava o moinho de fubá.

O curral, o engenho de moer cana, cujo caldo corria para a fornalha que a fervia e se transformava em rapadura.

Na saída do terreiro ficava uma pequena estrada que dava para ver minha saudosa casa.

Mais perto de mim estava meu coração, que na casa grande me prendia pelos encantos.

Era também onde moravam casais de periquitos e canarinhos que faziam seus ninhos sobre os galhos de dois altos pés de cedro, um em cada lado, da saída do caminho. 

Habitavam emprestadas, as casas de João de Barro.

Os pés de mamão também adormeciam na beira do terreiro e não ficavam sozinhos porque durante o dia eram visitados pelos vários passarinhos.

Tudo parecia tão perto, porque era lá que mais me amainava. Onde recebia os abraços e os colos tão queridos e jamais esquecidos.

Aos poucos fui conhecendo lugares que pareciam tão distantes...

O pasto que alimentava a pequena manada de gado, os cavalos, os cabritos.

A mata, que com o tempo deixou de ser temida.

Os diversos caminhos que iam para diversos lugares, que com o tempo foram ficando tão pertos, naquela época de menino, andarilho.

Até que um dia, ainda pequeno, levado pelo carro de bois até uma estação, em Diamante de Ubá, ocupando o banco de um vagão de trem, fui levado com meus pais, para tão longe...

E longe, daí para frente, sempre foi o meu destino, embora por várias vezes, lá voltasse, até que um dia, já não era mais, menino.

A meu mundo somaram-se outros espaços, que no inicio, sempre pareciam todos muito distantes.



Brasília, 04 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de Infância

Um comentário:

Ma Ferreira disse...

Amigo Evaldo..

Quando leio sua cronica, vizualizo cada paisage. pq como eu ja lhe disse nasci no campo.
So que nao tenho o saudosismo que vc tem.
Acho muito lindo a maneira com que vc escreve, a maneira que descreve o lugar da tua infancia que te fez tao feliz.

Abraco, tem comemoracao no meu blog.

Ma Ferreira