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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Visita ao Blog Passeando....

 

     Obs.: a Crônica sobre o amor (Amar é uma arte?) pode ser lida no índice do Blog http://passeandopelocotidiano.blogspot.com  sob o título  “Colunista Convidado(2)”, tendo em vista que foi publicada na primeira página do dia 27de julho de 2011.
Juiz de Fora, 29 de julho de 2011 - Evaldo


terça-feira, 12 de julho de 2011

“Você só aprende o que já sabe”. - Conto de filme





Sempre gostava de assistir à série do filme Kung Fu.

Por vários motivos.

Uma das coisas que mais me encantavam era a filosofia de vida do oriente, com seus milenares ensinamentos.

Viver a vida de maneira comum, conforme vivia Caine, fora dos muros do Templo  Shaolin, depois de ter estado lá, por muito tempo, é uma façanha desafiadora. O mundo dentro do templo parece-me de muita paz, conforme demonstra todo o seriado.

Vivemos, todavia, no ocidente e o jeito é enfrentar o mundo fora dos muros, usando o corpo como o próprio templo, onde recolhemos o espírito, em confortos momentâneos.

A lembrança que trago aqui é de um dos ensinamentos daquele seriado de tv, da década de setenta. Ainda é motivo de meditação para mim.

Num dos filmes, Caine aparece numa fila de meninos, que igualmente a ele esperavam uma oportunidade em frente ao portão do templo budista para serem atendidos em suas vontades de serem monges.

Acontece que as horas foram passando e como ninguém abria o portão para atendê-los, os meninos iam abandonando a fila, um a um. Caine, entretanto, manteve sua calma e esperança, enfrentando as intempéries, com sol, chuva e fome. Ficou sozinho, quando de repente aparece um monge calmamente depois de abrir o portão. Postou-se perante o menino e perguntou docilmente: o que você deseja meu filho?

O momento é de suspense porque a pergunta do monge era um teste muito forte para Caine responder com sabedoria. Muito jovem, ele responde com simplicidade:

                                            - Desejo entrar para o templo.

Pergunta de novo, com bondade, o monge:

                                            - E por quê?

O suspense continua e o menino responde com a mesma simplicidade:

                                            - Para aprender as coisas.

Ao que redargüiu o mestre Shaolin:

                                            - Você só aprende o que já sabe.

Após uma pequena pausa, embaraçosa para o menino que ficou pensativo sem saber o que falar, o monge demonstra com seu olhar de bondade que viu nele alguém fadado a ser monge também, e o acata carinhosamente para dentro do templo, estendendo seu braço sobre seu ombro, levando-o para dentro dos enormes portões, onde morava sua esperança.

Dessa estória ficou um grande questionamento budista (penso eu): nós só aprendemos aquilo que já sabemos.

A questão é intrigante, porque podemos perguntar: então para que existe a escola?

Já reparou que as pessoas só terminam cursos quando estão preparadas para eles?

Viu como um pedreiro quando tem vocação aprende facilmente a assentar tijolos?

Creio que a função da escola é nos ajudar a descobrir o que já sabemos. É um grande ambiente para se compartilhar conhecimento entre os alunos e também entre alunos e professores. Pelo menos deveria ser assim, acredito. A vida vale mais a pena se compartilhada, se amealhados os conhecimentos.

A escola é lugar de descobertas de nós mesmos, de chancela de conhecimento, de produção de diplomas, rótulos sociais que ainda são necessários ao desenvolvimento humano.

Isso me faz lembrar o filme “O Mágico de OZ”, onde o mágico dá de presente um diploma da sabedoria ao espantalho que desejava ter um cérebro; um título de corajoso ao leão que tinha medo e queria ser corajoso e um coração tipo relógio ao homem de lata que desejava tanto ter um coração. Mas esse é outro assunto, que vale uma estória à parte.

Daí, posso concluir que quando desejamos aprender alguma coisa é porque já sabemos.

É quando manifestamos nosso talento.

Isto é somente uma divagação de meu pensamento. Em filosofia não existe verdade absoluta. 

Existem buscas das verdades, muitas delas reformuladas de quando em quando. 

Então cada uma acomoda-se ao seu tempo e somente para ele.



Juiz de fora, 11 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Conto - Reflexões
                                           





quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aprendendo a escrever. Reflexões.




Não dá para esquecer as professoras e professores que já me assessoraram a vida.

Ensinar é algo muito mágico, que exige talento, paciência e amor.

      Aprender o b, a, bá não foi tarefa fácil, ou melhor, era difícil, mas foi fácil, por causa da paciência da professora. Felizmente, mesmo no campo, não conheci o “método da régua” para quem errava ao aprender. A professora usava o método do carinho, do elogio. Havia severidade quanto a respeito, atenção em aula. Nada, entretanto que demonstrasse desamor ou agressividade. A busca era a do comprometimento com o aprendizado. Houve tempo mais antigo que foi desse jeito, rude. Professores sempre de réguas na mão, prontos para o castigo.

              Eu só guardo a gratidão pelo carinho recebido nas escolas onde estudei.

              Hoje em dia existem lugares na Europa onde querem abolir a caligrafia. Em pouco tempo, acredito que o notebook substituirá a caligrafia.

              É claro que não podemos abrir mão da modernidade, mas só me resta saber de que sentiremos saudades. De pessoas ou de objetos?         Ou a saudade não vai ser necessária, mais?


Brasília, 07 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de infância

                              

Desenho Livre - Pensamento - Reflexões

terça-feira, 5 de julho de 2011

Conhecendo o Radio Antigo - Conto


                                       
A primeira vez que vi e ouvi o radio foi na casa de uma tia.
Sua casa era mais perto da cidade, onde havia uma estação de trem.
Fui lá, passeando pelas estradas, que davam muitas voltas. O trajeto foi feito a pé, junto com outra tia.
Para cortar caminho, andamos um trecho pelas beiradas da estrada do trem.
Minha tia usava uma sombrinha, por causa do sol quente.
Chegando naquela nova casa, tinha novidades. Coisas diferentes, que nem fazia idéia do que eram. Havia um fio comprido, que ia da cabeceira da cama até o teto de um dos quartos, com uma pequena peça escura, na ponta, e um pino branco que a gente apertava e acendia, no alto, uma tênue luz.
Era novidade, porque só conhecia a luz da lamparina, do lampião, do sol, da lua e a do vaga-lume.
Mais intrigante ainda era o rádio. Uma caixa que falava, e, minha tia, dona da casa, não soube me explicar como aquilo acontecia, porque eu era muito pequeno e não havia parâmetro na minha mente para entender tal novidade.
Quando voltamos, no dia seguinte, as novidades já estavam esquecidas.
Sempre havia algo para intrigar, como por exemplo, o coaxar do sapo que nunca via, chamado sapo martelo. Os insetos e animaizinhos noturnos sempre emitiam sons intrigantes e queria saber como.
As respostas vieram mais tarde, estudando as vozes onomatopaicas, na cidade. Os meios de comunicação e muito mais.
Passado algum tempo após eu ter conhecido o radio, meu pai comprou uma vitrola, tipo gramofone. Tinha um móvel parecido com uma máquina de costura. A gente girava uma manivela para dar corda e colocava um disco de rotações rápidas para tocar aquelas músicas antigas.

Brasília, 05 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de Infância.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Explorando espaços.




Tudo era tão perto, no Córrego São Pedro.

Mas parecia tão longe.

Perto da casa de meus pais ficava a estrada de trem de ferro.
Aos fundos, a mina d’água.

De um lado ficava uma coberta, que chamávamos de pindoba, ou rancho, para estender as folhas de tabaco para secagem, depois de estaladas, e guardar outros apetrechos, próprios do campo.

Mais um pouco aos fundos, um brejo, onde se plantava o arroz e passava um pequeno córrego, o qual terminava num rio, perto, mas que parecia longe.

Até então, tudo tão perto.

Mas a exploração do terreno foi feita aos poucos, desde o treinar dos passos cambaleantes, quando tudo parecia tão longe.

E, lá, distante, porém, não tão distante, via-se a venda, na beirada da estrada.

Aos poucos, o longe parecia perto e então os passos treinados chegavam à casa de meus avós, a qual dava para vê-la, da casa de meus pais.

E era na casa deles, meus avós, que mais ficava.

Onde também morava nosso cão chamado Peri. Bonito, alegre, vistoso. Azulado, com manchas brancas no peito.

Ficar lá era muito, mas muito mais “bão”.

Tinha um grande terreiro, e também um paiol e uma coberta do carro de bois.

Em volta, um pequeno lago, que movimentava o moinho de fubá.

O curral, o engenho de moer cana, cujo caldo corria para a fornalha que a fervia e se transformava em rapadura.

Na saída do terreiro ficava uma pequena estrada que dava para ver minha saudosa casa.

Mais perto de mim estava meu coração, que na casa grande me prendia pelos encantos.

Era também onde moravam casais de periquitos e canarinhos que faziam seus ninhos sobre os galhos de dois altos pés de cedro, um em cada lado, da saída do caminho. 

Habitavam emprestadas, as casas de João de Barro.

Os pés de mamão também adormeciam na beira do terreiro e não ficavam sozinhos porque durante o dia eram visitados pelos vários passarinhos.

Tudo parecia tão perto, porque era lá que mais me amainava. Onde recebia os abraços e os colos tão queridos e jamais esquecidos.

Aos poucos fui conhecendo lugares que pareciam tão distantes...

O pasto que alimentava a pequena manada de gado, os cavalos, os cabritos.

A mata, que com o tempo deixou de ser temida.

Os diversos caminhos que iam para diversos lugares, que com o tempo foram ficando tão pertos, naquela época de menino, andarilho.

Até que um dia, ainda pequeno, levado pelo carro de bois até uma estação, em Diamante de Ubá, ocupando o banco de um vagão de trem, fui levado com meus pais, para tão longe...

E longe, daí para frente, sempre foi o meu destino, embora por várias vezes, lá voltasse, até que um dia, já não era mais, menino.

A meu mundo somaram-se outros espaços, que no inicio, sempre pareciam todos muito distantes.



Brasília, 04 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Série Contos de Infância

domingo, 3 de julho de 2011

Curtindo a infância.



Quando recebíamos visitas vindas de outros lugares também chamados de Córregos era sempre uma alegria. Morávamos no Córrego São Pedro. Não faltava brincadeira, para estender a alegria.

Havia uma família de parentes nossos que nos visitavam e moravam no Córrego Alegre. 

Chegavam de charrete e a cavalos. A recepção era na casa grande da minha avó e de alguns tios e tias, ainda solteiros.

Juntávamo-nos com a criançada do lugar mais as visitantes. 

Meninos e meninas tinham suas brincadeiras, e trocávamos as novidades.

Admirávamos as meninas que sabiam fazer peças de barro, secadas ao sol.

Simples, rudimentares, porque eram feitas por mãos pueris.

Mas ficaram marcadas no tempo essas gostosas lembranças, de convivência, na infância.

Talvez seja por isso que aprendi admirar mãos artistas que modelam tão belas peças de cerâmica, ou de madeira, ou de metal, e tantos outros artesanais.



Brasília, 02 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor

sábado, 2 de julho de 2011

Fazer nada.



Foram muitos os momentos que andei pelas estradas de terra, quando menino. Acompanhado ou sozinho, por conta do fazer nada.
Era chamado de menino andejo.
Olhava os passarinhos, as folhas das árvores e muitos outros bichinhos.
Formigonas e formiguinhas.
Algumas eram guerreiras e outras, mas essas outras iam buscar comida lá na cozinha, na casa que também recebia outros bichinhos. Eram formigas boazinhas.
As doceiras que também gostavam da doce rapadura.
Outras coisas eu também olhava, aproveitando o fazer nada.
De vez em quando, ajudava juntar e carregar alguns galhos secos que acendiam o fogão. Mas, isso, não era nada.
A lenha mesmo, que cozia o feijão, era lascada por outros, com o machado.
Ficava intrigado, porque havia por lá um homem que também se chamava Machado.
Dessas coisas, no começo, não entendia.
Só ficava por conta do fazer nada.
Lembro-me que um dia não conseguia escapar de cima de um disfarçado formigueiro, daquelas formigas miudinhas, chamadas lava-pés. Só sabia chorar e pisotear, sem sair do lugar.
Um tio que também tinha um nome incomum, chamado Soninho, foi quem me socorreu.
Aprendi a lição: tem formiga que mesmo pequena, morde. E dói muito.
O socorro do meu tio também ficou guardado como lição: aprendi a guardar gente no coração.
Às vezes questiono o significado do nada.
Se nada fizesse, não me lembraria de nada.
Nem da interação com a chuva, com o Sol, com o chão, com todos os seres viventes: da casa, do chão, da terra, da água, do mato.
Nem do olhar de gente.
Do cão que lambia os beiços, olhando-nos, pedindo comida.
Não teria como escrever meus pequenos contos.
Nem cercar-me das dores, nem onde se guarda o amor.
Nem aliviar-me das dores ou cobrir-me de alegrias, nas minhas poesias, e nas dos outros, quem sabe?...
Será que viver a vida de criança por conta do nada é não fazer nada?

Brasília, 02 de julho de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor.