SEGUIDORES DE CAMINHADA

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Valsa da Vida



A vida sempre me pareceu uma cartilha.

E nela procurei seguir seus riscos, traçados, delineados.

 Mas tudo começou com as garatujas.

O tempo foi passando, passando...

De vez em quando, conferia, conferia... E descobri que ainda estava na cartilha. Seguindo à risca os traçados por ela delineados.

Um dia meu filho, chegando de viagem, presenteou-me com um livro e me disse: “pai, não leve a vida tão dura consigo mesmo... Não vale apena”.

Ponderei, ponderei... Esbravejei, esbravejei e descobri que dançava a dança dura da vida.

 Então, com muita relutância entendi que é possível dançar outras danças, sem perder o equilíbrio, mas sem cartilhas, pois sou a minha própria cartilha.

De vez em quando ensaio outra dança e custa-me evitar os tropeços no salão, pois ainda carrego a rigidez da alma. O medo de enfrentar o mundo. O medo de olhar pra mim mesmo, ainda existe.

Mas, essa dança é muito difícil, porém muito dócil, é mais sábia do que a da cartilha: é a valsa.

Ela é produto da autoconfiança, exige fibra, mas não rigidez. Compromisso, mas não intolerância.

É a valsa da vida.

Juiz de Fora, 29 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cadê a coruja?




Quando passava pela estrada de terra à noite via no chão a sombra do barranco, a sombra das árvores... A nossa sombra. Todas feitas pela grandiosa luz noturna, da misteriosa Lua. Suas manchas, diziam as pessoas, formavam a imagem de São Jorge. Como ele foi parar lá, não sabia.
Peregrinos das rezas. Das festas santeiras noturnas. Andantes das estradas de terra.
Não é preciso cavucar muito a memória para me lembrar das coisas que me deixaram saudades. Parece que tudo acontece agora. Ainda vejo a Lua.
As corujas eram chamadas de carimbambas, ao invés de corujas e iam saltitando à nossa frente. Praticamente não as víamos. Só ouvíamos seus encantados gorjeios. Era um mistério, como tantos outros há, sem que se perguntasse o que era.
Isso, apenas é isso. Aquilo apenas é aquilo, com direito de ser.
Lembrar daqueles passos, trupicando com o dedão do pé, no chão frio, nas noites gostosamente frias é como assistir a um filme de contos de fadas produzidos em Hollywood. Com a vantagem de ter sido parte de contos próprios, sempre que possível, contados. Sem fadas, sem bruxas, mas com muitos mistérios, que eram mistérios, apenas porque eram. Mistérios... A vida, quanto mais se cavuca, sempre vai ter curiosos e misteriosos mistérios.
Lamento que a linguagem e os olhares antigos se tornaram envelhecidos, substituídos pelas novas visões e palavras cultas, o que há de se louvar, mas de se arrepiar, em muito pelo aumento das chulas, saídas não apenas da boca dos adultos, mas igualmente da boca de muitas crianças. Mas temos que nos render ao progresso do asfalto e ao uso dos sapatos, trocados de vez em quando para não se tornar cafona. Entretanto ainda vejo a Lua, mesmo não tendo mais São Jorge empinando seu cavalo sobre o dragão. Acho que foi ele quem fez aquelas crateras e sumiu.
As corujas, símbolo da sabedoria, ainda existem, porém quase ninguém liga para elas, a não ser nos desenhos animados.
Interessante é que nos filmes os animais falam a linguagem do homem e provavelmente um dia esse fato será esquecido pelas gerações futuras, lembrado apenas, com saudade, por quem é criança na época de agora. Mistério criado pelo homem, para ser também, desvendado, pelas crianças, adultas, no futuro.
De qualquer forma, a vida terá sempre seus mistérios, motivo para muitos sentirem saudades.

Juiz de Fora, 25 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira 
Contos de Amor

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Momentos... De saudosa infância.




A primeira vez que vi alguém retirar as pétalas de uma flor foi lá no campo, onde havia muitas, de todas as cores.

Mas uma flor, a escolhida, é que iria responder ao apelo do coração daquela menina que desde pequena já treinava para um dia saber a verdade, sobre o imaginário amor desejado, a ser conquistado: 

Bem me quer... Mal me quer...


Juiz de Fora, 18 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de amor

terça-feira, 10 de maio de 2011

Espaço e Tempo. (Reflexões)


Espaço e Tempo. (Reflexões)

Não precisava pensar no futuro; não precisava pensar no passado.
O tesouro era ter alegria, sem saber que alegria tinha nome de alegria.
Ah! A vida desde pequeno me ensinava!
Sem eu saber, ela me preparava para contar os passos passados; para imaginar os passos que ainda seriam dados, medidos e calibrados.
Pra frente, pra trás; pros lados e parado.
Tudo soma, porque a estrada não é medida em metros. Nem é medida pelo tique-taque do relógio.
Simplesmente não tem medida.
Alegria simplesmente não tem nome.
Alegria apenas “é”.
Apenas “somos” agora. Seremos em qualquer espaço; em qualquer tempo.

Juiz de Fora, 10 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O amor é assim. As mães sabem melhor dizer.


O amor é assim. As mães sabem melhor dizer.

Um dia andava pelas ruas do centro de um bairro movimentado, de comércio e de gente.
Faz muitos anos, não me lembro qual cidade.
Há coisas que nos marcam mais do que outras. Nosso cérebro é seletivo nas lembranças, nos arquivos da memória.
Nada poderia ficar mais marcado do que aquele lapso de tempo. Aquela fração de segundo.
Leitura da vida, fora dos livros. Que se transforma em livro. Em teses de doutorado.
Tal foi o gesto sublime de uma jovem senhora que carregava em suaves braços seu neném. Filho de tenra idade, tutelado pelo amor materno. Incondicional amor, por ser necessário aos indefesos.
A jovem mãe tropeçara ao atravessar a rua movimentada. A distância que me encontrava só dava conta de fazer o que fiz naquela fração de segundo do tombo que ela levava: clamar intimamente. Meu Deus!
Incrível: cai a mãe de cotovelos no asfalto, protegendo seu filho, sem pensar em si mesma, porque não dava tempo.
Não fosse pelo filho, o natural seria largar o que estivesse nos braços e amparar-se com as mãos para defender- se da queda.
Sabe aqueles momentos onde um goleiro bem treinado defende um pênalti, abraçando a bola, caindo de cotovelos na grama e salvando a Pátria?
Pois é. Aquela mãe caiu de cotovelos no chão e abraçou o filhinho como se fosse uma experiente defensora de pênalti. E o chão não era de grama. Era de asfalto. E seus braços não tinham cotoveleiras como os goleiros têm. Sem apito, sem aviso.
É uma página virada na vida daquele pequeno ser que não tinha idade suficiente para registrar na memória o ato heróico da mãe e lembrá-lo no futuro de sua vida.
E assim são as mães, comprometidas com a vida, que guardam suas páginas, que não serão lidas, mas que por elas serão sentidas, sob a guarda de sublime amor.

Juiz de Fora, dia das mães de 2011.
Evaldo de Paula Moreira

terça-feira, 3 de maio de 2011

O orgulho, a vaidade. (Reflexões)


 E, agora! Senhoras e senhores! Apresentamos: os primeiros lugares!
-O eu!
Uuuuuuuuu !
-O meu!
Uuuuuuuuu!
-O sou!
Uuuuuuuuu!
___________________________
-???????
- Chiiii !!!
- “I” agora?
- Já apresentei!
-Mas “peraí”...
-Quem é: o eu, o meu, o sou?
-Não disse ainda!
Não importa só o que você pensou.
Se, falou, o “pau comeu”!
Está na chuva?
É pra se molhar.
Se vire!
- Calma, não é bem assim.
Como não?
Desça do muro.
Em qualquer lugar tem pedra pra se jogar.
Lá e cá.
Escolha onde ficar.
-Êpa!
-É assim?
-Onde eu fico?
Decida!
Aqui é a Terra.
Acorda!
-Êpa!, Êpa! Não é bem assim, não!
-Não existe sossego, então?
Ah! Não sei! Vire-se!
A maior batalha é com você mesmo.
Encontre seu caminho!
-E não tem negociação, melhor caminho?
Tem de tudo, meu filho.
Cada um encontra o seu caminho.
A alegria depende do coração; a justiça, da consciência; a felicidade está onde estão os dois.
Lembre-se: o orgulho e a vaidade são reprovados em qualquer lugar.
-Desculpe.

Juiz de Fora, 03 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Reflexões

domingo, 1 de maio de 2011

Estórias Infantis - "O Homem do Saco"




Estórias infantis - Homem do Saco.

Ser criança não é tão fácil.
Viver não é tão fácil, melhor dizendo.
A realidade é deturpada até para as crianças.
Então, crescemos num mar de mentiras, de inverdades, entre meio às verdades.
Quando criança, embora não tivesse motivo para temer castigos, havia algumas figuras criadas para amedrontar crianças.
Uma delas era a figura do “homem do saco”.
Aliás, nunca tinha visto nenhum por aquelas bandas das roças onde nasci.
Mas faziam-nos descrição de um homem barbudo que andava com um saco nas costas para pegar crianças desobedientes.
Ora, bolas! Era igual história do Saci-Pererê. Nunca me depararia com um.
Somente me dei por conta da existência dessa figura humana quando minha família mudou para a cidade.
Mas não se tratava de assustador de crianças, e sim de mendigos de rua. Coitados.
Dignos de pena, muito mais do que de medo.
Sei, todavia, que não há nenhuma má intenção em fazer isso. A questão é cultural. É também da desinformação para educar crianças porque ainda ouço coisas muito piores que ainda falam para as crianças.
Por várias vezes ouvi dizerem para elas: não chora não que o moço vai te levar embora, ou então: o bicho vai te pegar.
Acho deprimente porque as crianças aprendem a inverter valores.
Por isso acredito que o mundo só vai melhorar quando despertar para essa realidade.


Juiz de Fora, 01 de maio de 2011.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Infância

desen livre - expressão - introspecção


des livre - expressão - alegria