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domingo, 1 de agosto de 2010

O SONHO DO CHAPÉU


Chapéu.

Engraçado, olhar a vida.
Sentir a vida.
Desejar as coisas da vida.
Fazer as coisas.
Acompanhar o moderno.
Sentir-se incomodado por não saber, sabe-se lá o quê.
Sentir-se incomodado por não ter, sabe-se lá o quê.
Querer, querer, querer...
Em qualquer lugar, sempre querer.
Há medo em querer e não ter.
Mas também há alegria em querer e ter.
Quando era menino, lá na roça, andava de calça curta, segurada com aquelas tiras chamadas suspensório, que ainda existe também nas cidades.
Os adultos usavam cintos, calças compridas e chapéus de palha.
E o meu objeto de querer, era o chapéu.
Ser gente grande, adulto.
Um dia, passando de charrete com minha família numa estrada da redondeza, para minha surpresa, vi um menino, numa outra charrete, usando chapéu. E era chapéu de palha, de menino, próprio para menino e não para adulto.
Eu ainda não conhecia. E ninguém sabia que igual aquele eu também queria.
Às vezes eu usava chapéu, mas era dos adultos, só por brincadeira.
Era um treino do querer ter.
E durante a vida vim treinando o querer.
Ora tendo, ora não tendo.
Ora também, não querendo.
É bom querer, mas nem tudo.

O querer é um sono profundo, com sonhos diversificados.
Mais tarde vi nas telas dos cinemas, tantos chapéus, dos mais variados, de todos os povos.
Cada chapéu satisfazendo o querer, o sonho saído das cabeças de tantos quanto os usavam.

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Juiz de Fora, 01 de agosto de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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