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sexta-feira, 9 de julho de 2010

MINA D'ÁGUA



Não queria que a mina acabasse.
Ela secou com o tempo.
Tudo em volta secou.
A casa que ficava perto dela envelheceu e morreu de solidão, pois seus moradores antigos também morreram e os mais novos foram tocar suas vidas em outras paragens. As demais casas da redondeza também tinham suas minas e da mesma forma padeceram. Algumas mais relutantes, teimosas em sobreviver foram derrubadas juntamente com as árvores que restaram. Deram lugar a uma nova mata chamada canavial.
O tempo, indiferente, deu passagem para o cenário que ali existiu. Deixou a vida passar, olhando agora com a mesma paciência de sempre o mato rasteiro e seco, pois o canavial também não resistiu.
E de longe daquele lugar, num outro lugar chamado cidade, debruço meu pensamento, a ouvir as vozes do passado. São os pássaros que cantaram, são os cães que latiram, os bois que mugiram, e as gentes que murmuraram. São os porões da minha alma que sente os perfumes, lembra das flores e dos amores, cujo tempo não se incomoda com o que faço com eles.
Delirante passado, guardado no tempo, que viu a mina d’água, assim como as casas, as gentes, as canas de açúcar e protegerá minha memória que um dia irá comigo, não para outra cidade, mas possivelmente para outras lembranças.
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Juiz de Fora, 09 de julho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de amor
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