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terça-feira, 8 de junho de 2010

NATUREZA


Sabedoria do porco.

Certa vez fui visitar um tio que morava na roça.
São muitas as coisas que podemos observar na natureza, tanto na cidade quanto no campo.
Aliás, o que mais nos falta é o instinto de observador.
Sim, observamos muito, tanto é que construímos um enorme mundo em nossa mente.
Nem todo ele, entretanto, é real para todos. Mas esse mundo construído por nós é torto, e plasmamos imagens de tal ordem que a maioria vê a mesma coisa. Mesma coisa, porém, torta. Torta no sentido de não ser real. Vivemos muita ilusão, que se desfaz, com o tempo.
Construímos e desconstruímos sentido para as coisas.
Cai a ficha, no ditado popular, de vez em quando.
Antes, cortávamos todas as árvores possíveis porque não sabíamos muito sobre elas. Muito menos sabíamos que elas são belas. Agora já se sabe que elas são indispensáveis para a existência do planeta. A notícia já chegou para todos, mas uma boa parte ainda não conseguiu assimilar essa idéia, portanto, ela ainda continua sendo cortada. A utilidade do corte dela tem sido apenas imediata, e normalmente a necessidade é virtual. E por conta disso se desfaz uma árvore. Mais outra, outra e outra...
A árvore é um ser orgânico, como todos os seres do reino vegetal, ou do reino animal. Orgânico no sentido de possuir órgão, possuir vida. Vida muito rudimentar, mas é vida. Tem sensibilidade, inclusive. Isso é notório para a maioria de nós, não é nada extraordinário dizer isso.
Mas, ver um porco descascar a cana para se alimentar... Isso é algo que dá o que pensar sobre os animais.
É o que eu vi quando fui à roça visitar meu tio.
A cana serve como alimento que é dada ao porco porque ajuda na engorda dele.
O porco tem uma mandíbula muito forte, que pode triturar a cana com a casca se ele quiser. Então, jamais pensaria que ele se daria ao trabalho de descascá-la. Descasca, mastiga tanto que o bagaço dela vira quase pó.
A gente dá o nome ao animal, de porco, porque se pensa que ele gosta da sujeira. Ele, entretanto, gosta da lama para se refrescar. O que acontece, ainda, nos dias atuais, é que deixam o animal amarrado num toco para não fugir, ou então, num quadrado chamado chiqueiro. É como deixar alguém numa solitária, daquelas antigas. Acaba virando um porco.
Bem, o que eu tirei de lição naquela cena é que a idéia que temos de porco é que o faz parecer porco, mas isso não é verdade. A ignorância humana é que não deixa ver a inteligência desse animal.
Já descobriram que ele não deve ficar na sujeira para ser criado com saúde. Ele não sente sua falta.
O próximo passo será descobrir que ele é um animal com certo grau de inteligência, portanto, não deveria servir de alimento para o homem. Nem ele, nem animal algum.
Por enquanto o importante é ter descoberto que a carne do porco criado fora da sujeira, já não transmite certas doenças.
Gostaria que a Ciência mudasse o conceito de inteligência e de racionalidade, estendendo-o para os animais que não são humanos, e com isso mudarmos a forma de nos relacionarmos com eles.
Não basta ver o macaco descascar banana? Quebrar nozes para comer a semente? Ver o porco descascar a cana? Esse fato não mostra inteligência?

Juiz de Fora, 07 de junho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor