SEGUIDORES DE CAMINHADA

sexta-feira, 23 de abril de 2010


CARROS DE BOIS
Cantavam ao rodarem pelas estradas das fazendas.
Os gritos agudos de suas rodas premidas pelas cunhas untadas, cada vez mais apertadas, quase querendo estrangular seus eixos, soavam longe.
Quanto mais apertados os eixos, mais altos ficavam os cânticos.
Quanto mais cargas levavam, mais pares de bois teriam que puxá-las.
Quanto mais altos seus cantos, mais longe anunciavam a chegada dos carreiros, os quais envaidecidos ficavam, pois cada toada deixava suas marcas.
Eram suas almas quem cantavam.
Era o orgulho dos fazendeiros preenchendo os ares por onde passavam.
As estradas de terra antes usadas são, hoje, de asfalto.
Por elas passam novos tipos de carros, cujas almas os guiam sem berrantes.
As rodas não anunciam pelos ares a chegada de seus usuários, pois não precisam mais do encanto do canto.

Juiz de Fora, 02 de setembro de 2008.
Contos de Amor
Evaldo de Paula Moreira