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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A CONTADORA DE HISTÓRIAS


A contadora de histórias.
Hoje ela conta histórias lá no céu.
Com certeza deve ocupar cargo importante na hierarquia de contar conto de fantasia para as crianças.
Era minha tia quando viajou para a Terra e viveu conosco.
Já faz muitos anos e talvez tenha vindo para semear o amor no coração dos sobrinhos e sobrinhas contando suas histórias.
Foi a paz vivida, que durante muitos anos também soprou as brasas do fogão de lenha para aquecer as panelas de pedra naquela casa grande onde vivia com seus pais e seus muitos irmãos. Era a principal cozinheira da casa, onde as tarefas eram divididas entre os homens e as mulheres. Cada um assumia seu quinhão de responsabilidade.
Acho que aquela casa foi habitada por anjos porque nunca vi algum dos meus tios usarem faca de ponta na cintura. ...nem garrucha escondida no corpo. Essas coisas eram comuns prá todo lado. Mas naquele lugar, chamado Córrego São Pedro, nunca soube de algum incidente que pudesse ter maculado seus habitantes, naquela época.
 Esses apetrechos eram usados mais como adornos, vaidade de homem. Claro que também tinham suas utilidades. Picar fumo e fazer cigarro de palha, por exemplo. Havia uma “venda” naquele lugar, onde as pessoas se aglomeravam aos domingos e passavam o dia por conta do nada. Alguns, por conta da cachaça.
De vez em quando, sim, alguém que houvesse bebido demais se lançava em desafio, riscando faca de ponta no chão. Mas logo surgia a turma do “deixa disso, compadre”. Então, possíveis desavenças eram dissipadas.
Fora daquela redondeza já não posso falar a mesma coisa, infelizmente. Faca, foice, porretes e garruchas não eram apenas apetrechos da vaidade em alguns momentos de perturbação do ser humano.
Mas esse conto não vai desenrolar sombras, porque acho que aprendi com a querida tia, não tanto quanto ela era, mas um pouquinho do jeito de tecer os cenários, sem esconder as mazelas da vida, mas de ressaltar que o amor sustenta mais a vida do que qualquer outro sentimento.
Foi com ela que aprendi a história de João e Maria, que era contada um pouco em cada noite, para fazer a criançada dormir cheia de sonhos e expectativas para a noite seguinte, com alegria. Era comum a visita dos sobrinhos e sobrinhas aos nossos avós e um dos requisitos que não faltava, eram as histórias envolventes da carinhosa tia Izolina.
Juiz de Fora, 23 de dezembro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira 
Conto de Amor

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