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sábado, 9 de outubro de 2010

ESTRANHO INSETO

Estranho inseto.
Era pouco maior do que um grão de milho.
Cor verde.
Tão linda cor. Nunca tinha visto igual.
Encantado que estava com a maravilha colorida que descobri, com o belo formato do inseto, abaixei-me ao chão daquela roça de milho já colhido, para saudar o recente descoberto inseto, tocando-o com o dedinho de menino.
Surpresa muito grande eu tive porque de imediato ao tocá-lo senti uma dor latejante intensa que durou algumas horas.
Nunca mais vi daquela espécie de inseto novamente, o qual apesar da dor que me causou, deixou-me também o encanto de sua cor.
Aguçou-me o inesquecível momento, sem igual, a procurar entender por qual motivo algo tão belo pode nos causar dor.
Apenas muito tempo depois consegui entender que as cores dos insetos, aves e animais, muitas vezes são mecanismos de defesa para avisar aos outros que eles são perigosos. É prudente não tocá-los, sem conhecê-los.
Ficou, então, o entendimento de que a beleza da natureza não é feita somente para agradar ao olhar do ser humano. Ela tem outras finalidades também. Contém mistérios tais que se constituem enganos para nós. Freqüentemente fazemos leitura errada das coisas. Nós que somos tão sábios, com nossas engenharias e pesquisas do saber. Aprendemos não apenas para aumentar a solidariedade, mas também, infelizmente, para empilhar vaidade e orgulho. Armadilhas criadas sem ver.
A natureza faz leitura mais rápida do que imaginamos e tem respostas imediatas para sustentar-se em equilíbrio. Muito mais do que pensamos. O inseto, há anos me avisou.  Desse modo eu poderia crescer com essa informação impressa em minha mente. Este fato que conto não é para desdenhar o inseto colorido ou a qualquer ser que julgamos belo, mas para entender seu significado, o qual tem aplicação diversa. Basta lembrar que o pavão se empluma em muitas e lindas cores, não para assustar alguém ou para nos alegrar, mas acredito que é para conquistar a fêmea de sua espécie, igual fazem diversas outras aves. Felizmente também sabemos apreciar essas belezas, mas conscientes de que não são exclusivas para nosso agrado.

Juiz de Fora, 09 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

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