SEGUIDORES DE CAMINHADA

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VIVER COM AMOR

Viver com amor.

Tudo vem, e tudo passa...
Não podemos reter a luz entre as mãos.
Da mesma forma o amor escapa à retenção.
Ele não é nosso, é de todos, o que nos foge à compreensão.
O sol existe para fluir a luz, o coração para captar o amor.        
Sol que ilumina toda a Terra, amor que visita corações.
O amor compromete os que amam, os quais não podem reter os amados, assim como a luz não pode ser retida em nossas mãos.
Fontes permanentes do Universo, cujo compromisso é o de iluminar os caminhos, porém, somos transeuntes, com tempos provisórios.
Os que ficam guardam a saudade dos que partem, enquanto a luz continua iluminando todos os nossos caminhos, de todos os amores que permanecem conosco, até que um dia, façamos nossa viagem, deixando o caminho, a luz e a saudade nos corações daqueles que cultivamos com a responsabilidade do mesmo amor.
Se, temos o coração para captar o amor, o sol para enviar a luz, não há nada de errado sonhar que depois desse caminho, há outro e mais outros caminhos, forrados com mais flores, mais luzes, os mesmos e (quem sabe?), mais amores.


Brasília, 28 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DIA DO ARQUIVISTA

Hoje é o dia do Arquivista.
Mais uma vez volve-me a lembrança do primeiro emprego com carteira assinada em São Paulo, terra que me abraçou desde parte da minha infância.
Foi um importante teste, a exigir-me aplicação nos caminhos da ordem. Ordem, não apenas automática, mas com o juízo, de sua razão. O registro na sonhada por muitos, carteira registrada, desenhou, naquela página, o título de “Aprendiz de Arquivista”.
Naquele momento aprendi daquela saudosa empresa a lidar com papéis, comuns, porém de vital importância para todas elas. E, durante aquele aprendizado o qual posso chamar de estágio, passei para outra atividade, a de Office- boy, que também me faz guardar feliz lembrança de ter visitado as principais empresas, rede bancária e muitas outras de pequeno, médio e grande porte. O trabalho abrangia, desde a capital, ABC e demais cidades da região, naquela época, de meus dezesseis anos de idade, por volta de 1968. Aquele foi o meu mundo real, treino, no conhecer as pessoas, jurídicas e físicas.
Foram momentos cruciais no aprendizado porque não foi apenas o mundo externo que estava sendo trabalhado, mas também o conhecimento pessoal da diversidade de sentimentos humanos.
Até hoje, vale-me, muito, pois aos poucos vou aprendendo a importância de ser aprendiz, começando pelo arquivo da memória, principalmente nesse momento que nos faz pensar em infinitas interrogações. As respostas, talvez, poderão ser encontradas nas infinitas buscas e algumas estão nos arquivos da vida vivida. 


Brasília, 20 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

LEMBRANÇA DO CARRO ANTIGO


Tanta coisa já se passou.
Algumas se consumiram no tempo. Agora são lembranças postadas no arquivo da mente.
Servem apenas para consulta, revivendo prazer de rever tal qual se vê na película de cinema. Ou então, para pensar o futuro.
As coisas belas vistas na infância são mais belas hoje na lembrança porque estão aconchegadas pela suave saudade.
Ajuda a ver o belo de hoje e pensar como vai ser o belo do amanhã.
Já se foi o tempo do uso comum do relógio de bolso e daqueles com pêndulo, de parede, o “cuco”.
Mas podemos sonhar, lembrar e indagar se ainda será comum ver carro voar.  A mente relembra o que os olhos viram cujo trabalho está somente em repor com saudades, detalhes.
Os pneus dos carros antigos tinham tarjas brancas que lhes acompanhavam as formas laterais, arredondadas. Eram detalhes belos.
E os carros do futuro, será que terão rodas?

Juiz de Fora, 15 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SER CRIANÇA

Ser criança.
Ser criança é ser a inocência.
Recipiente de esperança.
Molde, aguardando futuro.
Estão em nossas mãos, sob nossa responsabilidade.
É o amanhã que a vida aguarda, imparcial na interferência do que fazemos para acompanhá-las crescer.
O mérito e o esforço pertencem a elas, mas o exemplo a ser seguido é nosso.
O futuro espera.
Plantemos flores nesses tenros corações se desejamos ver felizes as próximas gerações, frutos das sementes que semeamos.
 
Juiz de Fora, 12 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Amor

sábado, 9 de outubro de 2010

ESTRANHO INSETO

Estranho inseto.
Era pouco maior do que um grão de milho.
Cor verde.
Tão linda cor. Nunca tinha visto igual.
Encantado que estava com a maravilha colorida que descobri, com o belo formato do inseto, abaixei-me ao chão daquela roça de milho já colhido, para saudar o recente descoberto inseto, tocando-o com o dedinho de menino.
Surpresa muito grande eu tive porque de imediato ao tocá-lo senti uma dor latejante intensa que durou algumas horas.
Nunca mais vi daquela espécie de inseto novamente, o qual apesar da dor que me causou, deixou-me também o encanto de sua cor.
Aguçou-me o inesquecível momento, sem igual, a procurar entender por qual motivo algo tão belo pode nos causar dor.
Apenas muito tempo depois consegui entender que as cores dos insetos, aves e animais, muitas vezes são mecanismos de defesa para avisar aos outros que eles são perigosos. É prudente não tocá-los, sem conhecê-los.
Ficou, então, o entendimento de que a beleza da natureza não é feita somente para agradar ao olhar do ser humano. Ela tem outras finalidades também. Contém mistérios tais que se constituem enganos para nós. Freqüentemente fazemos leitura errada das coisas. Nós que somos tão sábios, com nossas engenharias e pesquisas do saber. Aprendemos não apenas para aumentar a solidariedade, mas também, infelizmente, para empilhar vaidade e orgulho. Armadilhas criadas sem ver.
A natureza faz leitura mais rápida do que imaginamos e tem respostas imediatas para sustentar-se em equilíbrio. Muito mais do que pensamos. O inseto, há anos me avisou.  Desse modo eu poderia crescer com essa informação impressa em minha mente. Este fato que conto não é para desdenhar o inseto colorido ou a qualquer ser que julgamos belo, mas para entender seu significado, o qual tem aplicação diversa. Basta lembrar que o pavão se empluma em muitas e lindas cores, não para assustar alguém ou para nos alegrar, mas acredito que é para conquistar a fêmea de sua espécie, igual fazem diversas outras aves. Felizmente também sabemos apreciar essas belezas, mas conscientes de que não são exclusivas para nosso agrado.

Juiz de Fora, 09 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

FLAUTA DE BAMBU

Flauta de bambu.
Naquelas roças antigas, onde o carro de boi cantava anunciando sua passagem pelas estradas de terra, além daqueles sons surgidos premidos pelas cunhas nos eixos de suas rodas, também ouvia o som doce da flauta de bambu, tocada pelo mesmo trabalhador que empunhava enxada para arredar capim da terra, a dar lugar às sementes em covas rasas e macias.
 Ainda menino, nas terras de meu avô Moreira, onde passei uma temporada com meus pais que lá cultivaram lavouras, ouvimos muitas vezes o jovem talentoso Antonio, que além de saber tratar dos animais e das plantações, sabia também agradar nossos ouvidos com o encanto de seu sopro na flauta de bambu.
Para mim, menino humilde da roça, aquele som soava misterioso, assim como as outras coisas que aos poucos ia conhecendo. Tudo na vida é fantástico. Tudo é misterioso. E quão fantástica foi aquela infância na qual tive a oportunidade de conhecer de perto tanta coisa. Gostava de olhar os insetos que abriam pequenos orifícios no chão e dali entravam e saiam.
Era o mecanismo da vida do inseto que somente mais tarde entenderia.
Via nascer uma pequenina vidinha numa semente de feijão, numa semente de milho, ou de manga, que depois se transformaria em árvore gigante. Foi aula ao vivo, em laboratório feito pela natureza.
Antonio fazia suas flautas cortando bambu maduro, seco, colhido há tempo passado da natureza. O bambu era perfurado com o “fincar” de ferro quente, cujos furos, onde saíam os sons, ficavam de cor queimada, dando-lhes contornos elegantes.
 Aqueles agradáveis sons foram raízes do apreço pelos diferentes instrumentos musicais de sopro que viria conhecer futuramente, os quais, cada vez me encantam mais com as doces melodias, produzidas por tantos corações que conseguem, mesmo estando em desencanto, encantar a vida.

Juiz de Fora, 06 de outubro de 2010.
Evaldo de Paula Moreira  
Contos de Amor