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domingo, 1 de agosto de 2010

O SONHO DO CHAPÉU


Chapéu.

Engraçado, olhar a vida.
Sentir a vida.
Desejar as coisas da vida.
Fazer as coisas.
Acompanhar o moderno.
Sentir-se incomodado por não saber, sabe-se lá o quê.
Sentir-se incomodado por não ter, sabe-se lá o quê.
Querer, querer, querer...
Em qualquer lugar, sempre querer.
Há medo em querer e não ter.
Mas também há alegria em querer e ter.
Quando era menino, lá na roça, andava de calça curta, segurada com aquelas tiras chamadas suspensório, que ainda existe também nas cidades.
Os adultos usavam cintos, calças compridas e chapéus de palha.
E o meu objeto de querer, era o chapéu.
Ser gente grande, adulto.
Um dia, passando de charrete com minha família numa estrada da redondeza, para minha surpresa, vi um menino, numa outra charrete, usando chapéu. E era chapéu de palha, de menino, próprio para menino e não para adulto.
Eu ainda não conhecia. E ninguém sabia que igual aquele eu também queria.
Às vezes eu usava chapéu, mas era dos adultos, só por brincadeira.
Era um treino do querer ter.
E durante a vida vim treinando o querer.
Ora tendo, ora não tendo.
Ora também, não querendo.
É bom querer, mas nem tudo.

O querer é um sono profundo, com sonhos diversificados.
Mais tarde vi nas telas dos cinemas, tantos chapéus, dos mais variados, de todos os povos.
Cada chapéu satisfazendo o querer, o sonho saído das cabeças de tantos quanto os usavam.

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Juiz de Fora, 01 de agosto de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor
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3 comentários:

Dan disse...

Oi Evaldo,

Somos todos meninos passarinhos...
Às vezes perdemos a vontade de voar, mas o vôo é mais forte. O querer nos faz voar, Querer, querer, querer...Em qualquer lugar, sempre querer.
Perder o medo e seguir em frente...Lindo seu chapéu!

Abraços

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Sublime seu conto, Evaldo. Também tive minha paixão infantil por chapéus. Filho de um padeiro mineiro de Monte Santo, fui criado entre carroças com caçamba de flandre, cavalos, arreios, e é claro, chapéus (que eu frisava as beiradinhas da aba, com capricho), além de lenços no pescoço, influência gaúcha que me rodeava o dia todo em Paranavaí, meu torrão natal. Depois cresci, virei músico, mas no entremeio um Chapéu Tremendão, de pelo, cor gelo, que mandei alguém trazer de São Paulo sob a febre da Jovem Guarda. Foi então que sem minha autorização um sujeito deslembrável levou meu "Tremendão"... nunca mais o vi. No Pará (na Transamazônica), voltei a ter meus chapéus panamás com grande alegria e serventia; o sol... Constate na home de meu blog.

abs

Evaldo disse...

Caro amigo José Roberto Balestra.
A história dos seus chapéus dá um belo livro. Experimente.
Só este pedacinho, sintético, já foi bonito.
Abs.