SEGUIDORES DE CAMINHADA

segunda-feira, 21 de junho de 2010

AGRADECIMENTO




Obrigado Saramago.

Obrigado por ter vindo.
Não te culpo pela tua partida, pois entendo o teu Adeus.
Todo cálice cheio tem um sabor, tem início e tem seu fim.
Tu foste doce e também amargo, mas o que é viver sem beber desse cálice?
Mais grave ainda do que não poder bebê-lo é não saber vê-lo.
É negar a luz e preferir a treva. É não saber distinguir o tilintar da taça.
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Juiz de Fora, 21 de junho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poema de Amor

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ARCO-ÍRIS


Escolha.
Quão difícil tem sido temperar o doce com o sal; entender o Tao; desejar ser humilde e descobrir-se orgulhoso; orar, para mudar; mudar e saber que a escada continua, com infinitos degraus, para baixo, e muito mais para cima. Não é questão de escolha, mas de força para alcançar o arco-íris.


Juiz de Fora, 01 de maio de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Poemas de Amor
* Obs.: republicação do dia 01/05/2010 para acerto no desenho.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O VISITANTE DIFERENTE


Alegria com a visita.

Lembro que a casa da minha avó, lá em Diamante, era grande.
Nós, crianças, brincávamos nela com liberdade, como pássaros livres a voar.
Brincávamos com as tramelas das portas e janelas, rodando-as sem parar.
Faziam um “zunido” ao serem giradas, e isto nos agradava.
Parávamos no tempo. Em cada porta e janela tinha uma tramela. E cada tramela era mais atrativa do que outra para rodar. Coisas de crianças.
Só mesmo vindo delas, imaginação para tirar proveito de coisas tão simples e conseguir alegria. Rodar tramelas...
Andávamos pelos assoalhos da casa, socando-os com os pés descalços, e extraia dali, sons, que somente nós sabíamos aproveitar. Os adultos da casa não implicavam conosco. Muito pelo contrário, nossos tios, tias e avôs nos abraçavam quase sempre que nos encontravam. Era uma alegria nos ver.
Nossos pés estavam quase sempre empoeirados, pois andávamos muitas vezes, descalços.
Escorregar no barro quando chovia era uma delícia.
Criança se divertia com qualquer coisa, e se encantava com qualquer conversa dos adultos.
Lembro-me de uma pessoa, um jovem adulto que um dia foi passear na casa da minha avó, que já era viúva nessas alturas.
Aquela pessoa prendera minha atenção e das outras crianças porque nos dava atenção e conversava conosco. Fazia desenhos, falava em outras línguas, o que para nós era novidade, pois nem sabíamos que existia possibilidade de falar de outro jeito.
Ele participou de uma guerra e dizia que era assim que falavam lá. Era bom ouvi-lo, apesar de não entender aquelas palavras e o que significava guerra. Sabia apenas que era coisa ruim.
Como éramos crianças, ninguém nos falou nada sobre a história de vida daquela visita repentina. Guardei apenas boas lembranças e curiosidade daquele momento, daquela visita agradável.
Alguns anos se passaram, quando estava morando em São Paulo e fui passear em Diamante de Ubá, minha terra natal.
Por qual surpresa, encontrei novamente aquela pessoa e foi então que percebi que os desenhos que ela fazia ainda eram os mesmos de anos atrás, e que os idiomas que falava era apenas um balbuciar de palavras sem significado.
Então fiquei sabendo que a guerra de que o interessante visitante participou foi a segunda grande guerra mundial e voltou de lá, enlouquecido, por isso, falava muitas coisas sem sentido, mas que não eram notadas por nós naquela época.
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Juiz de Fora, 11 de setembro de 2004.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

terça-feira, 15 de junho de 2010

FESTA NO CAMPO


O grande jogo de futebol

A bola estava toda enfeitada.
Era festa na roça, num casamento nas redondezas de Diamante de Ubá.
A alegria era geral e o jogo ia começar.
Em volta do campo havia gente passeando e gente esperando a bola rolar.
O campo de futebol já não existe mais, porém a estrada de terra que passava na lateral dele, embora sem movimento de gente, ainda está lá. As pessoas se foram, na década de 50/60, seguindo o êxodo rural.
E ali, naquela lateral de campo, brinquei, com as outras crianças, jogando bolinha de gude, que a gente chamava de birosca. Havia cavalos com suas celas de montaria, charretes e bicicletas. Tudo de gente vinda de longe, de outras roças, para ver a festa de casamento. Gente de lugares com os nomes de Quebra Coco, Racha-Pau, Ubeba, Rodeiro e muito mais.
A bola foi batizada na hora de começar o jogo e havia uma madrinha para batizá-la.
Gente prá todo lado, conversando, sorrindo, crianças brincando...
Começou o jogo. O time da casa era o União Martins.
Era comum chutar a bola bem alta. Achava-se bonito.
E se ouvia a torcida: Chuta! Vai prá cima dele, Tião!
Oh! Levou uma garrucha! (alguém fez uma jogada de letra).
Num determinado momento a bola foi chutada para o alto e quando descia, alguém gritou: olha a bola, olha a bola, menino! E ela: “pimba”, na minha cabeça. Eu estava brincando com outras crianças e não vi que a bola vinha para o meu lado. Foi aquele susto, mas continuei brincando, enquanto o jogo continuou com cenas muito engraçadas.
Juiz de Fora, 15 de junho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

domingo, 13 de junho de 2010

GUERRINHA


Vai uma guerrinha aí?

Deus me livre.
Cruz credo.
Essa coisa num pára.
Desde o começo do mundo.
De antes da Grécia até a Nova América.
Pedra prá cá, pedra prá lá.
Lança pra cá, lança prá acolá.
Espada prá aqui, espada prá ali.
Tiro prá lá, tiro d’acolá,
Canhão prá cá, canhão prá lá.
Navio guerreiro prá lá e prá cá.
Avião de caça prá cá e prá lá.
Míssil dali, míssil prá aqui.
Ameaça daqui e dali.
Foguete de lá... pru céu inteiro.
Pode pará de inventá.
Se, não, a guerrinha num vai acabá.

Juiz de Fora, 13 de junho de 2010-06-13
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Desavença.

terça-feira, 8 de junho de 2010

NATUREZA


Sabedoria do porco.

Certa vez fui visitar um tio que morava na roça.
São muitas as coisas que podemos observar na natureza, tanto na cidade quanto no campo.
Aliás, o que mais nos falta é o instinto de observador.
Sim, observamos muito, tanto é que construímos um enorme mundo em nossa mente.
Nem todo ele, entretanto, é real para todos. Mas esse mundo construído por nós é torto, e plasmamos imagens de tal ordem que a maioria vê a mesma coisa. Mesma coisa, porém, torta. Torta no sentido de não ser real. Vivemos muita ilusão, que se desfaz, com o tempo.
Construímos e desconstruímos sentido para as coisas.
Cai a ficha, no ditado popular, de vez em quando.
Antes, cortávamos todas as árvores possíveis porque não sabíamos muito sobre elas. Muito menos sabíamos que elas são belas. Agora já se sabe que elas são indispensáveis para a existência do planeta. A notícia já chegou para todos, mas uma boa parte ainda não conseguiu assimilar essa idéia, portanto, ela ainda continua sendo cortada. A utilidade do corte dela tem sido apenas imediata, e normalmente a necessidade é virtual. E por conta disso se desfaz uma árvore. Mais outra, outra e outra...
A árvore é um ser orgânico, como todos os seres do reino vegetal, ou do reino animal. Orgânico no sentido de possuir órgão, possuir vida. Vida muito rudimentar, mas é vida. Tem sensibilidade, inclusive. Isso é notório para a maioria de nós, não é nada extraordinário dizer isso.
Mas, ver um porco descascar a cana para se alimentar... Isso é algo que dá o que pensar sobre os animais.
É o que eu vi quando fui à roça visitar meu tio.
A cana serve como alimento que é dada ao porco porque ajuda na engorda dele.
O porco tem uma mandíbula muito forte, que pode triturar a cana com a casca se ele quiser. Então, jamais pensaria que ele se daria ao trabalho de descascá-la. Descasca, mastiga tanto que o bagaço dela vira quase pó.
A gente dá o nome ao animal, de porco, porque se pensa que ele gosta da sujeira. Ele, entretanto, gosta da lama para se refrescar. O que acontece, ainda, nos dias atuais, é que deixam o animal amarrado num toco para não fugir, ou então, num quadrado chamado chiqueiro. É como deixar alguém numa solitária, daquelas antigas. Acaba virando um porco.
Bem, o que eu tirei de lição naquela cena é que a idéia que temos de porco é que o faz parecer porco, mas isso não é verdade. A ignorância humana é que não deixa ver a inteligência desse animal.
Já descobriram que ele não deve ficar na sujeira para ser criado com saúde. Ele não sente sua falta.
O próximo passo será descobrir que ele é um animal com certo grau de inteligência, portanto, não deveria servir de alimento para o homem. Nem ele, nem animal algum.
Por enquanto o importante é ter descoberto que a carne do porco criado fora da sujeira, já não transmite certas doenças.
Gostaria que a Ciência mudasse o conceito de inteligência e de racionalidade, estendendo-o para os animais que não são humanos, e com isso mudarmos a forma de nos relacionarmos com eles.
Não basta ver o macaco descascar banana? Quebrar nozes para comer a semente? Ver o porco descascar a cana? Esse fato não mostra inteligência?

Juiz de Fora, 07 de junho de 2010.
Evaldo de Paula Moreira
Contos de Amor

segunda-feira, 7 de junho de 2010

FACES DO BRASIL



MONTEVIDÉU/JAGUARÃO



Viagem que fizemos ao Uruguai, eu e minha esposa, em 2009.
Saímos de Juiz de Fora, MG, de carro, fomos até Porto Alegre,RS (com algumas paradas com pernoites no percurso para conhecer um pouco o litoral). Depois, fomos até uma das divisas do Brasil, cidade de Jaguarão,interior do Rio Grande do Sul,muito hospitaleira e calma. As fotos são de Jaguarão, na ída, e o vídeo é da volta de Montevideu, saída da cidade, que é muito bonita e também hospitaleira. video

terça-feira, 1 de junho de 2010

PENSAMENTO



Saudade.
Infinito intangível,
Dor que perpassa o coração.
Busca através do nada, contudo,
Intuição de que o profundo existe.
Impotência em transpor a barreira desconhecida.
Angústia...
Negativa do que existe, desamor talvez...
Órbita em planos cansativos da existência.
Solidão em plena saturação do viver repetido,
Saudade do ainda não vivido, desconhecido...
Fuga do compromisso assumido sem saber...
Reencarnação, talvez...
Crédito recebido, sem saber como pagar.
Incerteza do que fazer e apesar de tudo, lutar para viver.
Vivência que incorpora saberes impermanentes.
Dúvidas que impulsionam para o abismo ou às alturas.
Saudades... sem saber se é do passado.
Saudade...
Mola propulsora da busca, por não se achar satisfeito.

Poema Momento de Tristeza
Evaldo de Paula Moreira
Juiz de Fora, 25 de etembro de 2007